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Opinião

XV fez um bolo sem fermento

*Capa: Mauricio Bento/Líder Esportes

Na fase de preparação do XV de Piracicaba para a disputa da Série A2, assisti as partidas contra Atibaia, Botafogo e o último coletivo-apronto antes da estreia no Campeonato Paulista. Vi que a diretoria, juntamente com o técnico Evaristo Piza e seus auxiliares, montou um bom time, mas não foi dada a devida importância ao setor de criação. Sinceramente, estou vendo o mesmo filme do ano passado. Na semana do prazo final de inscrições, há uns dois ou três apalavrados, mas todos desistem no último dia de inscrição e o XV completa o time com jogadores de base.

Minha impressão é que o XV fez um bolo, muito bonito, enfeitou, mas não esquentou a cabeça pela falta de fermento. Alguns vão gostar; outros vão reclamar. É o meia que dita o ritmo do jogo, que faz o time crescer. As desculpas também são as mesmas do ano passado: “Não encontramos jogadores com as características que procurávamos; fomos atrás de muitos, mas não deu certo; ninguém está conseguindo e outras equipes estão oferecendo valores maiores que o nosso; nos ofereceram muitos, mas os nomes não agradaram”. Será que o XV é tão bom assim, que ninguém serve? Tudo o que ouço explica, mas não justifica, não me convence.

Foi criada uma expectativa muito grande sobre o Guly, achando que ele vai armar a equipe. Ele disse na coletiva que prefere atuar como volante, que é a função dele. A menos que ele mostre quando estiver valendo três pontos que consegue fazer a função de armador, fico com a mesma opinião que formei vendo ele atuar: está bem abaixo da expectativa. No atual elenco, só vejo o André Cunha com qualidade para armar a equipe. Léo Carvalho e Rafael Rosa, pelo que vi desde que chegaram ao XV, são bons jogadores, merecem estar no elenco, mas não são especialistas na posição. Algumas vezes foram bem no setor, mas não há uma regularidade.

O Alvinegro pode perfeitamente conseguir o acesso e o título sem a chegada de um novo meia, mas o caminho será mais difícil. Vai depender muito do talento individual, da capacidade de superação, da vontade de cada atleta de fazer outras funções em campo e das jogadas de bola parada. Aliás, o time tem muitos jogadores altos, o que pode ajudar na bola aérea. Não adianta dizer que o atacante é ruim, que não faz gols. Tem que ver se a bola está chegando para ele, e se chega com qualidade. Quando o campeonato começar, mais importante que essas observações, é o XV vencer jogos. A situação financeira do clube não é das melhores, mas está contornada. Com mais um ano longe da elite paulista, sem o valor da cota de Série A1, as coisas podem piorar.

Marcelo Sá é radialista e jornalista na Rádio Jovem Pan News Piracicaba

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