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Opinião

XV deixa UTI, mas ainda requer cuidados

*Capa: Michel Lambstein

Quem, assim como eu, esperava que o XV de Piracicaba tivesse vida fácil na primeira fase do Campeonato Paulista da Série A2, se enganou. Apesar das dificuldades que a Portuguesa atravessa nos últimos anos, uma derrota do Nhô Quim fora de casa na estreia estava dentro dos padrões aceitáveis. A coisa começou a desandar quando, vencendo o limitado time do Audax por 2×0, no Barão da Serra Negra, o Alvinegro se acomodou com o placar, por relaxamento natural, achando que o jogo já estava ganho. Sofreu o empate em cinco minutos.

Voltava à tona a mesma dificuldade de entender que segurar o placar, cozinhar o jogo, catimbar, gastar o tempo, é uma estratégia usada no mundo do futebol. Pois bem. Veio então o jogo contra o São Caetano, com as duas equipes pressionadas pela vitória. O Nhô Quim, aos 40 minutos do segundo tempo, abriu o placar. Penso eu que acabou o jogo. Emocionalmente, sob pressão, o Azulão desmoronou. Para o XV, é bola para o mato, que o jogo é de campeonato. Não! O time continuava insistindo em não querer jogar feio, chutar de bico, praticar o anti-jogo, matar as jogadas. Sofreu a virada em cinco minutos. Começam então vários pedidos pela saída do treinador.

Na sequência, contra o São Bento, ao meu ver, foi o primeiro jogo que o Alvinegro foi mais realista. Percebeu que a média de idade era mais alta, que a sequência de jogos era insana e que precisaria cadenciar mais o jogo, ao invés de gastar de 70% a 80% do preparo físico no primeiro tempo, faltando pernas para o final das partidas. Porém, o empate sem gols, praticamente selaria a saída do treinador. O futebol sempre cobrará resultados. Pode ser cultura burra, mas acreditar que vai mudar é utopia. O herói de hoje, em um estalar de dedos, vira vilão amanhã.

Não adianta você ter a equipe que mais chuta a gol, que mais cria, mais desarma, tem padrão de jogo, todo mundo sorri, não tem problema extracampo, e terminar o campeonato na parte de baixo da tabela. Torcedor é movido por paixão. A cobrança sempre será por vitórias. Quando um jogador é visto na balada, mas o time está ganhando, o torcedor curte a festa com ele e ainda paga as bebidas. Na fase ruim, o bicho pega. Atleta é chamado de vagabundo até por passear no shopping com a esposa.

Caso Tarcísio Pugliese fosse demitido do clube, não seria por incompetência ou falta de trabalho, mas simplesmente porque os resultados deixaram de aparecer. Nunca houve elenco rachado ou perda de comando. Muricy Ramalho após três títulos brasileiros consecutivos foi demitido. Felipão, que nas três Copas do Mundo que trabalhou chegou as semifinais, também foi demitido pela mesma cultura de resultados. E porque no XV não houve troca no comando técnico? Duas situações foram determinantes para a permanência.

Os jogadores bateram no peito, puxaram a bronca e abraçaram a causa do treinador. Além disso, o Nhô Quim teria um jogo pela Copa do Brasil, quatro dias depois. E, foi justamente na competição nacional, que as coisas começaram a mudar. O Alvinegro venceu. Soube sofrer no final da partida, valorizar a posse de bola, dar chutão, gastar o tempo. Fez o mesmo contra o Atibaia e o Rio Claro. Segurou o resultado. Não fez partidas exuberantes, e nem precisa, é Série A2 do Campeonato Paulista. Equilibrou mais as ações entre defesa e ataque.

Nos últimos quatro jogos, o Alvinegro jogou mais cadenciado e, apesar do desgaste físico do elenco, não tem mais faltado fôlego nos 20 minutos finais. A equipe mostrou mais consistência defensiva. Não está tudo lindo porque venceu três jogos, aliás longe disso. O XV deixou a UTI, mas ainda requer cuidados. Precisa continuar vencendo, matando um leão por dia, mas as coisas começam a entrar nos eixos. É notório que a equipe precisa se reforçar para avançar mais na Copa do Brasil e brigar por acesso para a elite do futebol paulista. Com limitação no número de atletas à disposição, não dá para querer que o treinador faça mágica.

Marcelo Sá é jornalista no Líder Esportes e na Rádio Jovem Pan News Piracicaba

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