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Opinião

Vale mais resultado ou desempenho?

*Capa: Arquivo/Mauricio Bento

Bons resultados e bom desempenho deveriam andar de mãos dadas no futebol, mas não é isso que a realidade nos mostra, especialmente no futebol brasileiro. Aliás, com tantas cobranças e cabeças de treinadores que rolam no futebol, em apenas quatro partidas, muitos técnicos já são definidos como gênios nas vitórias ou incompetentes nas derrotas. O Felipão, gênio no pentacampeonato mundial em 2002, passou a ser um técnico ultrapassado após o 7×1 para a Alemanha. Agora, no Palmeiras, volta a ser um excelente treinador. O que ele mudou? Sinceramente, não vi nada diferente.

Quando ganha, é bom. Quando perde, é ruim. Eu não tenho esperanças de ver essa lógica ingrata mudar no futebol. Na Copa América de 2019, a seleção brasileira foi muito mais criticada do que elogiada. Empatou sem gols com a Venezuela e o Paraguai. Para muitos, não passava segurança quanto a um possível título. Não teria a menor chance contra Argentina, Chile, Colômbia e Uruguai. Foi campeã. Na Copa do Mundo de 1982, onde sobrava talento para o Brasil, talvez o time mais lembrado quando o assunto é o bom futebol, a seleção não ficou com a taça no final. Há quem prefere ver o espetáculo e aqueles que dão mais valor à conquista.

Longe de partidas exuberantes, mas com um bom futebol apresentado em grande parte dos jogos, o XV de Piracicaba fez um bom Campeonato Paulista da Série A2. Infelizmente, o acesso não foi alcançado, mas não é por isso que todo o trabalho deveria ser jogado no ralo. Na Copa Paulista, o desempenho não é o mesmo, porém, o Alvinegro segue na liderança da sua chave. Disputou 12 pontos e somou oito. Com a bola rolando, está devendo uma apresentação melhor, pois este elenco tem potencial para isso.

É claro que as saídas de peças importantes como Ítalo, Misael e Ronaldo fazem falta. Não houve reposição à altura e não dá para jogar a responsabilidade nas costas dos atletas de base. Não consigo acreditar que seja essa a raiz do problema. A Copa Paulista não é tão atrativa. Se para o torcedor é difícil ter que acompanhar uma competição sem expressão, imagine para um atleta profissional ter que jogá-la. Porém, hoje, é o caminho que o XV precisa percorrer para chegar até a Série D do Campeonato Brasileiro.

A primeira fase é longa, com turno e returno (dez jogos), partidas de domingo às 10h, sabendo-se que 66,7% das equipes avançam de fase. O ânimo do atleta não é o mesmo que disputar uma fase de mata-mata. Aí, muitos podem questionar: “Estão recebendo para isso, tem que se esforçar ao máximo”. Os jogadores sabem disso, mas o emocional não age da mesma forma. A descarga de adrenalina é diferente. Se fosse simples assim, não faria diferença jogar com estádio cheio ou vazio. Quando há uma partida com um apelo maior, o atleta, não o boleiro, vive intensamente o clima durante a semana. Alguém acredita que isso acontece hoje, pensando no próximo jogo da Copa Paulista?

Qualquer pessoa que joga futebol e algum dia já disputou algum campeonato não profissional, sabe que o aspecto emocional varia de acordo com a importância da partida. Por mais que o discurso pré-jogo seja: “Temos que nos doar ao máximo; não tem nada ganho; pés no chão; humildade; acreditar até o último minuto”, o corpo tem o seu relaxamento natural. Não adianta exigir que em um amistoso contra a Islândia, o Brasil tenha o mesmo empenho que em uma final contra a Argentina. Não adianta pensar que o elenco do XV vai ter na primeira fase da Copa Paulista o mesmo ímpeto que teve no mata-mata da Série A2.

Então, porque renovaram com o XV se a competição não é atrativa? Porque hoje o clube paga bem e, principalmente, em dia. São mercenários? Não! São profissionais. A primeira fase da Copa Paulista é um saco, basta olhar o público pagante das partidas. A expectativa é que o desempenho do Nhô Quim melhore no decorrer da competição. Acredito que, quando houver uma partida com um apelo maior, esse time tem potencial para dar uma resposta positiva. Prefiro que as coisas sejam diferentes da Série A2.

O XV enfrentou três vezes a Inter de Limeira, sendo melhor nas três partidas. Quem subiu foi o Leão. O Água Santa era o bicho-papão no Campeonato Paulista. Quem subiu foi o Santo André. Desta vez, que erre tudo o que for preciso no início, para que possa ser corrigido a tempo de acertar no fim.

Marcelo Sá é jornalista no Líder Esportes e na Rádio Jovem Pan News Piracicaba

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