fbpx
Opinião

Vaiar ou não vaiar?

*Capa: Mauricio Bento/Líder Esportes

A impressão deixada pelo XV de Piracicaba em sua estreia no Campeonato Paulista da Série A2 foi, no mínimo, preocupante. O que se viu em campo foi um passeio do Rio Claro sobre o Nhô Quim. Os três gols sofridos ainda no primeiro tempo do jogo, número que só não foi maior graças ao goleiro Samuel Pires, geraram muitas vaias à equipe, ainda antes do intervalo. Quem vaiou, vaiou com razão. Entre os mais criticados, pelo que vi nas redes sociais e conversei com os torcedores, foram Guly e Evaristo Piza.

O volante, que atuou como meia-armador, mostrou que na Série A2, com estilo de jogo diferente ao que é acostumado, não pode fazer essa função. Para mim, isso já estava claro, assistindo ao jogo-treino contra o Atibaia e o último coletivo antes da estreia. Vi torcedores pedindo a cabeça do treinador, o que discordo, mas entendo a revolta. A formação foi testada na fase de preparação e os resultados, em números no placar, apareceram. Quando passou a valer três pontos, não deu certo.

Por acompanhar mais de perto o trabalho do treinador, sabia que ele não insistiria no erro, diferente de vários dos últimos técnicos que o XV teve, e que acabaram caindo devido à teimosia. O pedido de Guly, para atuar em sua posição de origem, primeiro-volante, foi atendido. O jogador foi um dos melhores em campo contra o Juventus. Em nada se parecia com o jogo anterior. Mereceu ser aplaudido. Demonstrou humildade em seu discurso após deixar o campo, sem fazer críticas em momento algum. Se conseguir manter o mesmo desempenho, com certeza terá o reconhecimento do torcedor.

Sacar Bruno Formigoni, com uma grande identificação com clube e torcida, manter Guly, e lançar um garoto da base, em um jogo fora de casa, precisando vencer o Juventus, foi um risco grande que Evaristo Piza correu. Talvez, outros treinadores não optariam por correr esse risco, pois uma nova derrota poderia deixá-lo ainda mais pressionado. Deu certo, e não foi sem querer, por obra do acaso. O XV mostrou uma postura completamente diferente da primeira partida. Os jogadores se doaram, competiram, criaram oportunidades para definir o jogo ainda no primeiro tempo, e souberam segurar o resultado no segundo tempo, quando o Juventus partiu com tudo para buscar o resultado.

Após o jogo, em entrevista coletiva, o treinador pediu o apoio da torcida, um voto de confiança. Não resta dúvida que o time precisa melhorar, mas pelo que foi demonstrado em campo contra o Moleque Travesso, merece esse crédito. Se o time não jogar bola, não ‘arrastar a cara’, aí o torcedor tem mesmo é que vaiar.

Marcelo Sá é radialista e jornalista na Rádio Jovem Pan News Piracicaba

Voltar