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Opinião

Um dia histórico no Palmeiras

*Capa: Cesar Greco/SE Palmeiras

O Palmeiras está sob nova direção. Sai Maurício Galiotte, para muitos o maior presidente da história do clube, e entra Leila Pereira, empresária carioca de 57 anos. Tem o mérito de ser primeira mulher a se tornar mandatária do Verdão em 107 anos de existência. Tomou posse nesta quarta-feira (15) e ficará no cargo até dezembro de 2024, quando possivelmente tentará a reeleição.

Após a festa, vêm os desafios de Leila Pereira, que serão muitos, entendo. A começar pela possível discriminação por ser mulher, algo que ela própria já rechaçou em seu discurso de posse. Em um tom conciliador, disse: “Sou a primeira mulher. Isso mostra que o Palmeiras é de todos”.

O fato de ser presidente das empresas que ‘compraram’ a camisa do Alviverde desde 2014 também pode ser outro entrave. Mas ela também entende que não haverá conflitos de interesses. Por esse motivo, garante que irá se afastar do comando de suas empresas pelos próximos três anos – ou seja, o período do primeiro mandato.

O maior obstáculo de todos, porém, está dentro de campo. Galiotte, com títulos do Brasileiro, da Copa do Brasil, e, sobretudo, do bicampeonato da América, colocou o ‘sarrafo’ lá em cima. Manter o mesmo nível de conquistas será praticamente impossível. Determinada, ela sonha alto já nos primeiros meses. “Quero pintar o mundo de verde em fevereiro”, enfatizou em seu discurso improvisado de posse, que não teve pompa, luxo, script e nem ao menos um microfone. “Pintar o mundo”, leia-se, claro, o Mundial Interclubes, sonho de todo palmeirense.

Dona de uma das maiores fortunas do país, Leila quer ser vista como a presidente de todos. Quer baratear do ingresso às camisas oficiais do clube – que hoje não são vendidas por menos de R$ 250. Se vai conseguir tudo isso? Só o tempo dirá. Mas vontade não lhe falta, embora não planejara nada disso em toda sua vida. Caiu como paraquedas – ligou em um sábado pela manhã no clube palestrino querendo patrocinar o time de coração de seu marido (sim, só ele era verde) depois de levar um ‘não’ do São Paulo.

Gostou tanto da política do clube, do envolvimento com a torcida – que a apelidou carinhosamente de Tia Leila – e dos holofotes da mídia, que não parou mais. Foi eleita e reeleita conselheira do clube (com recorde de votos) e ganhou a presidência após um pleito sem oponente. Agora, tem uma ‘Ferrari’ nas mãos para pilotar, quero dizer… administrar. E responsável simplesmente pelo Maior Campeão do Brasil. Vamos ver no que dá. Boa sorte e bom trabalho!

Erivan Monteiro é jornalista e cronista esportivo

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