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Um dérbi diferente

*Rodrigo Gazzanel/Agência Corinthians

Confesso que estou empolgado com a decisão do Campeonato Brasileiro Feminino de Futebol entre Corinthians e Palmeiras. É o primeiro dérbi da história na final da competição. E com toda a justiça. Foram os melhores times ao longo do Brasileirão, além de terem a maior folha salarial e o maior investimento. Ou seja, chegaram com todos os méritos e com a promessa de muito equilíbrio. Vale lembrar que o único duelo entre os rivais na competição deste ano terminou sem vencedor.

É fato que essa disputa é a cereja do bolo para o futebol feminino do Brasil, que nunca esteve tão valorizado. A obrigatoriedade de que todos os times masculinos da Série A deveriam ter equipes femininas também colaborou para esse boom, acredito. Hoje, não há em nosso continente um campeonato de futebol de mulheres mais competitivo que o Brasileiro. Talvez, nas Américas, somente nos Estados Unidos haja uma Liga mais atraente que a nossa.

Quem acompanha o futebol feminino há tempos percebe a nítida evolução do esporte nos últimos cinco anos, pelo menos. Esse recorte de meia década é proposital, pois mais ou menos até 2016, o esporte era muito fraco tecnicamente e com investimento quase zero. Era praticamente ignorado pelos grandes clubes. De lá para cá, no entanto, houve uma evolução gigantesca, tanto técnica, como tática e fisicamente.

Hoje, podemos ver times com cara de times, com plano tático definido, uma linha de pensamento a ser seguida. Diferentemente de alguns anos atrás, quando era só correria e chutão. É visível principalmente, a meu ver, o crescimento das goleiras. Aliás, talvez seja a posição que mais evoluiu nos últimos tempos. Atualmente, podemos afirmar que temos segurança embaixo das traves.

É até irônico dizer que, ao mesmo tempo em que a geração da Marta, Formiga e Cristiane está saindo de cena, há uma evolução sem precedentes no futebol feminino. Hoje, o jogo é muito mais coletivo, bem jogado. Longe de desmerecer essas guerreiras que levaram a modalidade nas costas nas últimas duas décadas, mas há de se ressaltar que, coincidência ou não, o futebol feminino hoje é uma realidade e não vamos depender somente da genialidade da Marta (ainda bem!) como a andorinha solo de tempos não muito distantes.

Mas voltando à final, lembremos da força do Corinthians. O Alvinegro é o atual dono da taça e busca o bi com uma equipe homogênea, entrosada e com espírito de campeã. Os destaques são a zagueira Érika, as laterais Poliana e Tamires e as meias Andressinha e Gabi Zanotti. É o time a ser batido, sem dúvida nenhuma! Nas semifinais, despachou o bom time da Ferroviária com duas vitórias por 3×1, na Fonte Luminosa e em Barueri.

o Alviverde foi montado nesse ano, mas também vem forte. A maior baixa será a artilheira Bia Zaneratto, que teve de voltar para a China. Mas tem muito talento com a zagueira Agustina, capitã da equipe e da seleção argentina; com as laterais Bruna Calderan e Katrine; com a meia e craque do time Julia Bianchi e com a atacante Chú, que vem fazendo a torcida esquecer a Bia com muitos gols. Para chegar à final, o Palmeiras eliminou o Internacional com duas vitórias – 1×0 no Sul e 4×1 em São Paulo.

As duas partidas que irão apontar o grande campeão estão marcadas para domingo (12), às 21h, no Allianz Parque; e no dia 26 de setembro, também domingo, às 20h, na Neo Química Arena – ambas com transmissão do SporTV. Nenhuma das equipes tem vantagem no confronto. O Corinthians teve melhor campanha e faz o segundo jogo em casa. Só isso. Quem se sair melhor no agregado leva o caneco. O campeão só sai dia 26; o certo, de momento, é que os rivais já estão garantidos na Libertadores de 2022.

Erivan Monteiro é jornalista e cronista esportivo

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