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Todos somos Bruninho

*Capa: Santos FC/Divulgação

O esporte e, em especial, o futebol é mágico (também) por causa do fascínio que exerce em todos nós, mas principalmente nos pequenos torcedores. Eu já fui criança. E tinha meus ídolos. Sonhava com Jorginho, habilidoso camisa 7 do Palmeiras nos anos 1980, e gritava o nome de Gilmar, goleiro do Alviverde da mesma época, quando fazia uma defesa milagrosa durante os jogos no campinho de gramado irregular do meu bairro ou na rua de terra batida onde brincava com meus amigos.

Na passagem da infância para a adolescência, passei a admirar nomes como Paula e Oscar, ambos do basquete; Edmundo, Romário e o ‘hermano’ Maradona, além do excepcional Dasayev, histórico goleiro soviético da Copa da Espanha, em 1982 – só para citar alguns da minha longa lista. Somos humanos, de carne e osso. Vibramos, sofremos e nos alegramos com esses homens e mulheres espetaculares. Também tietava (é claro!) meus ‘rivais’, principalmente o Zico, do Flamengo. Literalmente amava o ‘Galinho de Quintino’. PAra minha alegria, podia torcer por ele quando vestia a Amarelinha.

Com tanta devoção, dava tudo para ficar frente a frente com aqueles que me emocionavam dentro das arenas, ginásios e pistas. Quando vi o Oscar pela primeira vez, cara a cara, esperando por uma pergunta minha após o término de um treino em São Roque, onde a seleção brasileira de basquete se preparava para a Olimpíada de Atlanta, em 1996, literalmente paralisei. Fiquei tão impactado que nem me dei conta de fazer uma foto para guardar de recordação ao lado do gigante que calou o Dream Team no Pan de Indianápolis, em 1987. Hoje, tem gente que duvida que, ainda ‘foca’, ou seja, recém-formado, o entrevistei de forma exclusiva.

Em um país de terceiro mundo, no qual as desigualdades saltam aos olhos, o esporte sempre foi para nós brasileiros um dos nossos poucos momentos lazer. De extravasamento. Lembro-me bem de que na véspera da primeira vez que fui ao estádio, não dormi direito à noite de tanta ansiedade. É isso que o futebol nos produz. Algo inexplicável que está em nosso DNA; está em nosso sengue latino.

Por tudo isso, eu entendo o Bruninho, que ama o Santos, mas foi hostilizado por alguns irresponsáveis torcedores do Peixe, após o clássico vencido pelo Palmeiras por 2×0, no último domingo (7), na Vila Belmiro. O ‘erro’: pedir e ganhar a camisa do Jailson, goleiro extremamente gente fina do time paulistano. O que o Bruninho fez foi algo que todos deveriam fazer: respeitar e admirar as pessoas pelo que elas são na sociedade, mesmo que estas estejam em ‘lados opostos’. Em sua pureza, achava que não tinha nada de errado gostar daquele que não veste suas cores.

Mas, fique tranquilo Bruninho. Você foi grande! Saiba que crescemos um pouco com o seu exemplo. Aprendemos que devemos ser como uma criança e ver o esporte com mais leveza. Fiquei emocionado com esse menino. De verdade. Eu e a maioria dos brasileiros. Apesar de existir alguns cafajestes no mundo do futebol, felizmente a maioria ainda é de pessoas que sonham com um mundo mais bonito. Por isso, somos todos Bruninho!

Erivan Monteiro é jornalista e cronista esportivo

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