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Time reserva salva o São Paulo

*Capa: SE Palmeiras/Facebook

Sinceramente, às vezes eu não entendo o que se passa na cabeça de certos técnicos. O clássico entre Palmeiras e São Paulo, nesta quarta-feira (17), no Allianz Parque lotado, era o cenário perfeito para o time da casa afundar o rival rumo à Série B. Era praticamente a pá de cal no ‘inimigo’. Mas, inexplicavelmente, o técnico Abel Ferreira colocou uma equipe praticamente reserva em campo. O resultado de não levar a sério o Choque-Rei foi um Palmeiras sem entrosamento e presa fácil para o limitado São Paulo, que fora humilhado pelo Flamengo na rodada anterior e estava nas cordas, pressionado e sem perspectiva de melhora. Mas o português fez questão de dar uma mão ao rival, que aproveitou, venceu por 2×0 e praticamente manteve-se na Série A em 2022.

A desculpa de Abel foi a padrão: tinha de dar descanso a seus jogadores, que estariam estafados com tantos jogos na sequência e já pensando na final da Copa Libertadores, no próximo dia 27, contra o Flamengo, no estádio Centenário, em Montevidéu, no Uruguai. Entretanto, essa tese (ou desculpa) não cola na cabeça do torcedor. Vai poupar o time logo no clássico?

Certamente, o treinador alviverde não sabe a rivalidade histórica entre os dois clubes, que saiu das quatro linhas há muito tempo. Palmeirenses acusam até hoje de os dirigentes são-paulinos desejarem ganhar na ‘mão grande’ o patrimônio palestrino durante a Segunda Guerra Mundial, na década de 1940. O então Palestra Itália não poderia seguir em funcionamento porque a Itália, país ligado ao clube, era inimigo do Brasil na guerra.

Se conheço o torcedor do Palmeiras, corneteiro por natureza, ele não vai engolir essa decisão. Abel poderia, por exemplo, dar folga para os seus principais jogadores na próxima rodada, quando o Palmeiras vai ao Ceará encarar o Fortaleza. Mas não. O portuga colocou em campo no Choque-Rei somente Weverton e Marcos Rocha do time considerado titular. E deu no que deu…

É uma dividida com a torcida que não precisava, em minha visão. Agora era hora de unir e não dividir a dez dias da final da Libertadores. Mas, enfim, o dia 27 vai dizer tudo. Se o Palmeiras levantar a Libertadores, não haverá sequelas. Agora, se perder o jogo e o título em Montevidéu, Abel Ferreira será com certeza cobrado. Porque a permanência do Tricolor na elite do Brasileiro foi passa diretamente pelos três pontos conquistados no clássico desta quarta-feira.

Erivan Monteiro é jornalista e cronista esportivo

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