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Futebol Americano

Superando obstáculos, Cutters tenta nova façanha em campo

Time feminino coleciona resultados expressivos e busca divulgar a modalidade fora dos gramados

Giulia e Cristiane entrarão em campo no próximo sábado (12) para defender o Cane Cutters (Foto: Líder Esportes)

Embalada pela classificação à fase final da Copa do Brasil, a equipe feminina do Piracicaba Cane Cutters volta a campo no próximo sábado (12) pelos playoffs do Campeonato Paulista de Flag 5×5, modalidade do futebol americano. O adversário será o Sorocaba Vipers, pelo wild card da Conferência Caipira, às 10h, no campo da Sociedade Esportiva São Dimas (rua Brodósqui, 396, Parque São Jorge, Cruz Caiada). A abertura da rodada está marcada para as 9h, com o duelo entre Unicamp Eucalyptus e Sorocaba Braves.

Criada em 2014, a equipe feminina dos Cutters disputou os primeiros amistosos na modalidade 5×5 logo no primeiro ano em atividade. “Foi aí que percebemos que o time tinha capacidade e que poderíamos manter o projeto a longo prazo”, contou o head coach Caio Parussulo. A evolução foi meteórica: em 2015, os Cutters participaram pela primeira vez do Circuito Nacional. Na temporada seguinte, uma seletiva feita pelo time contou com mais de 50 participantes. Em campo, a equipe passou para a segunda fase do Nacional e venceu o São Paulo Storm, que mantinha uma invencibilidade de dois anos no Estado.

O elenco feminino do Piracicaba Cane Cutters segue vivo também na Copa do Brasil (Foto: Líder Esportes)

“Esse resultado chamou muito a atenção do cenário 5×5 nacional. Foi o primeiro momento em que realmente mostramos nossa força”, relatou Parussulo. Nos últimos três anos, o Piracicaba Cane Cutters coleciona campanhas de destaque: quarto lugar no Paulista (2016), classificação para a superfinal do Circuito Nacional (2018) e a terceira colocação na Conferência Caipira (2018). Na atual temporada, além de uma vaga para as finais do Paulista, o time piracicabano está novamente na superfinal – em 2019, o Circuito Nacional passou a ser chamado de Copa do Brasil.

“A cada ano que passa surgem novas dificuldades, mas também aparecem pessoas que nos ajudam bastante. Temos uma equipe centrada em campo e pessoas que nos auxiliam do lado de fora, e é isso que faz o projeto crescer. Hoje, contamos com 20 atletas, três pré-convocadas para a seleção, e somos referência no interior, considerados uma potência no Estado. No cenário nacional, ainda não estamos nesse patamar, mas temos a pretensão de conquistar isso. A meta é continuar fazendo o que fazemos de melhor: vencer”, disse o head coach.

COLETIVIDADE

“Falar em brigar por títulos é uma realidade para nós. A força do nosso time está no coletivo, é como uma família que transcende o campo”. A frase é da wide receiver Giulia Chiavegatti, 19, mas poderia ser de qualquer atleta dos Cutters. Além da rotina de jogos e treinamentos, elas empunham mais uma bandeira: quebrar os preconceitos. “Eu sempre gostei de esportes, mas, como mulher, nunca me senti representada. Quando vi que existia um esporte que realmente gostava e que existem mulheres empenhadas nisso, agarrei a oportunidade”, afirmou Giulia, que está nos Cutters desde fevereiro.

“O futebol americano está crescendo exponencialmente. O preconceito é uma realidade, muitas pessoas ainda pensam que mulheres não podem jogar. Alguns dias atrás, na minha escola, tive a oportunidade de falar sobre o papel da mulher no esporte. O pessoal recebeu muito bem isso, mas quando contei que jogava futebol americano, percebi que isso gerou uma surpresa”, contou a wide receiver. Além do preconceito, são vários ‘empecilhos’ que dificultam a dedicação ao esporte, conforme relata a line back Cristiane Rubia, que chegou aos Cutters em 2016.

‘Não existe alguém mais importante no nosso time. É com uma engrenagem: funciona apenas com todas as peças’

“O preconceito existe sim e as dificuldades são muito grandes. As mulheres têm muitas responsabilidades. No meu caso, por exemplo, tenho o meu trabalho, faço faculdade, preciso cuidar de casa. Nós enfrentamos muitas dificuldades para divulgar mais o esporte e trazer novas mulheres para cá. Não é fácil se dedicar tanto. Além disso, tem a questão financeira de qualquer esporte amador: fazemos rifas, pedágio, para ‘aliviar’ o nosso próprio bolso. A falta de apoio também pesa. Já tivemos muitas portas fechadas quando pedimos para usar um campo, por exemplo”, afirmou.

Apesar dos imbróglios, as meninas dos Cutters não arredam o pé: faça chuva ou sol, elas não abrem mão de vestir o uniforme para entrar no gramado. O motivo? Elas explicam. “A coletividade é algo muito forte entre nós. Todos, dentro ou fora do campo, são importantes. E aqui a gente encontra respeito e também cumplicidade. O futebol americano aceita todos os biotipos, todos têm uma função: pode ser magro ou gordo, mais ou menos rápido. Não existe alguém mais importante. É uma engrenagem: funciona apenas com todas as peças”, finalizou Cristiane.

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