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Sonhava ser Cid

*Capa: Reprodução/Facebook

Foi vendo e ouvindo Cid Moreira que a chama do jornalismo nasceu em mim. Ainda criança, no início dos anos 1980. Era época da ditadura, mas este triste período de nossa história estava em seus últimos dias. Na verdade, já caminhávamos para o início do processo de redemocratização. Até as mulheres estavam voltando a jogar futebol, algo que fora proibido por lei no Brasil de 1941 a 1983.

Apesar dessas conquistas, ainda havia resquícios dessa página negra do Brasil nos primeiros anos da década do rock, do Atari e do Flamengo de Zico. E era nesta conjuntura, meio sombria e esperançosa, que Cid Moreira entrava em nossos lares diariamente com seu protagonismo na bancada do Jornal Nacional. O JN era transmitido pela TV Globo, com as principais notícias do Brasil e do mundo. Quando finalizava a edição do jornal, na TV em preto e branco que tínhamos em casa entrava uma tarja do governo federal informando que a próxima atração – a novela das oito – era imprópria para menores de 12 anos.

Essa era a deixa para a minha mãe mandar meus três irmãos e eu para a cama. E então ia dormir com a voz do Cid Moreira na minha mente e no meu coração. Queria ser igual a ele. Trabalhar com o jornalismo. A única diferença para o Cid – que na verdade nunca foi jornalista e sim um grande leitor de notícias – era que eu queria o jornalismo esportivo. Queria ser o Cid do esporte.

Passaram os anos, fiz faculdade de Comunicação Social e consegui atingir os meus objetivos – atuei em rádio, jornal, assessoria de imprensa e internet, menos em TV. Tudo isso sem, é claro, com o mesmo brilho nem com a voz maravilhosa do titular da bancada do Jornal Nacional por quase 30 anos. Porém, fui e sou feliz acompanhando o futebol e todos os outros esportes em ação em nosso país e no mundo.

Agora, além dessa coluna, que escrevo semanalmente, e alguns trabalhos esporádicos na área da comunicação, tive o privilégio de estrear nesta semana o programa Conexão Esporte, na TV Rádio West, ao lado do amigo Alexandre Nascimento, dentro desta nova proposta do jornalismo atual de unir várias plataformas, como rádio, TV e internet, entre outros. Um presente antecipado do Dia do Jornalista, comemorado ontem (7).

Espero sinceramente que o jornalismo não morra. É uma paixão. Só quem é jornalista sabe do que estou falando. Apesar da crise sem precedentes que enfrentamos, tomara que a área da comunicação se reinvente e fique forte tão quanto na época que via com entusiasmo meu querido Cid Moreira na televisão. Que ainda muitos futuros profissionais se inspirem nos bons exemplos, como eu fizera um dia.

Erivan Monteiro é jornalista e cronista esportivo

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