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Opinião

Sobre as eleições e a realidade do XV

*Capa: Divulgação

As eleições no XV de Piracicaba foram importantes para recuperar o sentimento de vitalidade do clube, ao menos no que diz respeito ao interesse público. A contradição de ideias é saudável, ainda que a salubridade não permeie a totalidade das intenções. Arnaldo Bortoletto e Matheus Bonassi foi a solução mais inteligente para resolver o problema que Adilson Maluf, enviado especial da Raízen, apresentou ao ‘tirar’ da jogada o vereador Capitão Gomes, que já havia pecado por ansiedade ao antecipar um acordo com a empresa, nas redes sociais, que não aconteceu. Investimento ou maioria legítima no Conselho. Batendo chapa, com qualquer resultado, o clube seria declarado perdedor.

A composição não foi fácil e teve o martelo batido 90 minutos antes da eleição. Ricardo Moura, que abriu mão da disputa pela presidência, saiu fortalecido do pleito. O desapego à cadeira mais nobre do clube lhe concedeu o respeito da alta cúpula da oposição. Agora, ocupa o cargo de diretor de futebol, posição inegociável por ele próprio. A contratação de Tarcísio Pugliese teve aval geral, mas foi sugerida na prática pelo diretor de futebol, tal qual a volta do gestor Beto Souza, homem de absoluta confiança de Moura, que nunca escondeu o apreço pelo trabalho realizado entre o segundo semestre de 2016 e  o primeiro de 2018.

Capitão Gomes fez 95 votos, número bastante expressivo para alguém que surgiu no contexto do XV de Piracicaba há menos de dois anos. Após a derrota, porém, reagiu por impulso, algo compreensível pela forma como o revés se deu fora das urnas. O vereador declarou que renunciaria ao posto de conselheiro, para o qual foi eleito, e que o XV é página virada. Capitão Gomes, reavalie: no Conselho Deliberativo, não na Câmara de Vereadores, é que precisa haver voz ativa para cobrar cada centavo dos R$ 700 mil mensais que, segundo suas palavras, foram prometidos pelas multinacionais, encabeçadas pela Raízen, desde que não houvesse um político na direção alvinegra. Ao sair de cena agora, dá margem para interpretar a articulação como oportunista, o que o colunista não quer acreditar.

A respeito dos R$ 700 mil, cuidado: isso significa que o XV de Piracicaba, se agir bem, terá menos chance de errar. O futebol não é matemática. Em relação aos primeiros nomes anunciados pela nova diretoria, Tarcísio Pugliese e Beto Souza, nenhuma surpresa. Paulo Roberto, figura eleitoral de Capitão Gomes, não viria sob qualquer cenário de composição, afinal, seu modus operandi representaria o esvaziamento do próprio departamento de futebol. A escolha de Pugliese conjuga com a pretensão de apostar em um projeto a médio e longo prazo. É coerente. Bom ou ruim, os resultados em campo darão a sentença. A volta de Beto Souza é igualmente natural. O que não é natural é colocar o XV numa realidade que hoje não ocupa. Para ocupá-la, será preciso muito trabalho. Coletivo, por certo.

Leonardo Moniz é editor de conteúdo do LÍDER

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