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Opinião

Sem consentimento não pode!

*Capa: Reprodução/ESPN

Uma cena deprimente foi vista por todo o Brasil nesta quarta-feira (7), minutos antes da partida entre Flamengo e Vélez Sarsfield, pela semifinal da Copa Libertadores. A repórter Jéssica Dias, da ESPN, que fazia uma transmissão ao vivo na entrada do Maracanã, foi assediada por um torcedor rubro-negro. O homem, além de dar um beijo na repórter, ainda teria passado a mão na profissional, segundo testemunhas.

O cinegrafista, além de captar as imagens para comprovar o assédio, segurou o torcedor, com a ajuda de um produtor da emissora, que também estava no momento da abordagem dele à profissional. O homem foi detido e teve a prisão preventiva decretada após passar pelo Juizado Especial Criminal. O vídeo do assédio teve repercussão nas redes sociais. É muito triste que ainda exista esse tipo de coisa no futebol. A minha solidariedade à jornalista e à ESPN.

Sou de um tempo em que os estádios eram majoritariamente frequentados por homens, nos anos de 1980 e 1990. A partir daí, as mulheres começaram a ir aos jogos e o futebol foi ganhando um colorido novo nas arquibancadas, também com as crianças, e ficou muito mais democrático. Com as novas arenas, então, a presença delas praticamente dividiu com os adeptos masculinos. Hoje são famílias inteiras que frequentam os estádios. E isso é muito bom!

Por isso mesmo, não se cabe mais esse tipo de comportamento. Atualmente, até um beijo sem consentimento torna-se crime. Ninguém pode ser importunado. Nem que seja por palavras. Nesse caso, um beijo e um toque na pessoa, é muito mais grave. As pessoas têm de saber que o mundo mudou. Graças a Deus!

Nas imagens da transmissão, é possível ver o momento em que Jéssica Dias sofre o assédio. Ela passava as informações sobre a partida do Flamengo e mostrava a animação da torcida quando um dos homens se aproxima e a beija sem consentimento. Pelas redes sociais, a ESPN repudiou o episódio e informou que está tomando as providências necessárias. A repórter também recebeu apoio de outras emissoras de TV e clubes de futebol. No Twitter, o Flamengo lamentou o ocorrido e reforçou que “atos repugnantes como esse não representam a Nação Rubro-Negra”.

Atitudes como essas acabam afastando as mulheres do futebol. Não se pode tolerar esse tipo de coisa. E mais uma vez deve ser dito: essa atitude não é apenas uma brincadeira de mau gosto: é um crime!

Erivan Monteiro é jornalista e cronista esportivo

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