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Corpo & Mente

Sarcopenia, uma doença do passado

Sarcopenia e reposição hormonal - por Carlos Ribeiro

A prevalência de incapacidade e dependência funcional é maior em idosos e está intimamente associada à redução da massa muscular, tanto no idoso saudável quanto no idoso doente. A sarcopenia decorre da interação complexa de distúrbios da inervação, diminuição de hormônios, aumento de mediadores inflamatórios e alterações da ingestão protéico-calórica que ocorrem durante o envelhecimento. A população mundial está envelhecendo. Estima-se que, de 1996 a 2025, o percentual de idosos aumentará cerca de 200% nos países em desenvolvimento. No Brasil, o aumento da população idosa segue a tendência mundial. Nos últimos 60 anos, aumentou de 4% para 9%, correspondendo ao acréscimo de 15 milhões de indivíduos. A estimativa para 2025 é de um aumento de mais de 33 milhões, tornando o Brasil o sexto país com maior percentual populacional de idosos no mundo.

A perda de massa e força muscular é responsável pela redução de mobilidade e aumento da incapacidade funcional

A sarcopenia é uma das variáveis utilizadas para definição da síndrome de fragilidade, que é altamente prevalente em idosos, conferindo maior risco para quedas, fraturas, incapacidade, dependência, hospitalização recorrente e mortalidade. Essa síndrome representa uma vulnerabilidade fisiológica relacionada à idade, resultado da deterioração da homeostase biológica e da capacidade do organismo de se adaptar às novas situações de estresse. A perda de massa e força muscular é responsável pela redução de mobilidade e aumento da incapacidade funcional. E como podemos evitar que isso ocorra? Quais as vantagens temos quando evitamos as alterações até pouco tempo dadas como ‘normais’ da velhice?

Em outros artigos, discutimos sobre os benefícios que a atividade física, associada a um plano alimentar ajustado a seu organismo, podem trazer para a saúde e a sua condição de vida. Imagine se isso for aplicado ao seu avô ou avó. Já imaginou ele indo para academia, três vezes na semana, praticando atividade de força resistida? Parece ficção ou coisa de filme? Pois bem, graças às atualizações de educadores físicos, médicos, nutricionistas e fisioterapeutas, isso vem se tornando cada vez mais realidade. A principal dificuldade não é tirar o avô do sofá, mas o preconceito contra a atividade de resistência e força.

Na meia idade, ou terceira idade, ou ainda, na melhora idade, há um déficit muito grande hormonal, baixos níveis de testosterona que geram perda de forca muscular, déficit de reserva de glicogênio, maior acúmulo de gordura, diminuição de metabolismo basal e a tendência à atrofia de musculaturas e tendões em desuso. Com o passar do tempo, o seu avô, que era totalmente independente, apesar de uma cabeça boa, começa a apresentar dificuldades de marcha, limitações a movimentos e dificuldade para sustentar o próprio peso. Até pouco tempo, isso era tido como alteração fisiológica da ‘velhice’.

SUPLEMENTAÇÃO

Hoje, classifico como incapacidade funcional. A maioria dos idosos é encaminhada a exercícios de yoga, hidroginástica, pilates ou grupos de caminhadas. Ótimo! Melhor do que nada, pois são exercícios de baixo impacto com resistência articular diminuída, chance de lesões articulares muito menor. Mas, acredite, isso não vai impedir que a sarcopenia ou déficit muscular ocorra. Para corrigir isso, é preciso atividade de força e resistência: tem que colocar nossos velhinhos amados para ‘puxar ferro’, sempre com supervisão. E mais do que isso: eles precisam ser suplementados. Opa! Velhinho maromba? Pois o idoso tem muito mais necessidade de suplementação do que o atleta jovem.

O idoso dificilmente consegue atingir toda sua necessidade diária proteica através da alimentação por muitos motivos: dentição, dificuldade para triturar alimentos, intolerância a quantidade de alimento, dificuldade de adaptação ao paladar, preconceito com suplementação. O idoso deve sim ser suplementado com shakes de proteínas, complementos de leucina isolada. É possível, sim, usar suplementação de creatina no idoso, e pode apostar, isso muda a vida dele completamente.

REPOSIÇÃO HORMONAL

Neste momento, não vou entrar no mérito da reposição hormonal, que é de obrigatoriedade do médico fazê-la – não há mais cabimento ir contra isso, não é ir contra a natureza ou fisiologia da vida, é questão de dar vida para quem ainda tem muita cabeça para usar. É não deixar que nossos avos, ou pais, ou bisavós, fiquem presos dentro de um corpo que já não os acompanha mais. É dar vida e saúde, disposição, vitalidade a quem ainda tem muito o que nos ensinar.

Fechando nossa conversa: idoso deve fazer atividade física regularmente, inclusive treino de força, e deve ser acompanhado para garantir ingestão adequada de macro e micro nutrientes, suplementando sempre que necessário. As refeições devem ser programadas e divididas ao longo do dia. O idoso deve por obrigatoriedade fazer uso de suplementação de proteína de alto valor biológico, rico em leucina, fracionado durante as refeições do dia. O idoso ativo sempre se beneficiará de dietas hiperproteicas, atividade física monitorizada, acompanhada de profissional gabaritado, com avaliações medicas rotineiras, planos alimentares bem realizados e correção postural. O seu ‘vôzinho’ ainda tem muita lenha pra queimar. Cuide de quem cuidou de você: leve seu amigão para treinar. Uma ótima semana e bons treinos!

Carlos Ribeiro é médico e colunista do portal LÍDER

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