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Opinião

Salada Alvinegra

*Capa: Vitor Prates

Com um jogo a mais que seus adversários diretos na briga pela vaga para a próxima fase da Copa Paulista, o XV de Piracicaba está fora da zona de classificação. Não dá para apontar apenas um responsável pelos resultados ruins, então, vamos elucidar alguns pontos. O treinador, Fahel Júnior, e o gestor de futebol, Diego Cope, não falam a mesma língua. Nenhum dos dois é milagreiro, além de não entrarem em campo. Cope presta contas para a diretoria e a parceria, que indicaram a maior parte dos jogadores e são, juntamente com o gestor, os responsáveis pela montagem de um plantel limitado. O técnico não participou da montagem; sua responsabilidade é fazer o time jogar. Chegou ao XV sabendo dos desafios que teria pela frente e aceitou o trabalho.

Em 2016, sob o comando de Cléber Gaúcho, o XV foi campeão da Copa Paulista também sem dinheiro. Portanto, a desculpa não cola mais. Em 2013 e 2014, Gaúcho foi semifinalista tendo à disposição elencos limitados. Ainda assim, extraiu bons resultados. Com parceria, que é um negócio, o Nhô Quim precisa atender interesses. Não acertar a contratação do volante Clayton, que é piracicabano e viria de graça ao clube, com o salário pago pelo empresário, tirando espaço de algum jogador, pode ser um deles. Mesmo com o Bragantino disputando Série C do Brasileiro e Copa Paulista, muitos atletas foram cedidos ao Nhô Quim. O raciocínio é claro: o próprio Bragantino, que precisa de um número maior de jogadores, não quis aproveitar quem aqui está.

Em entrevista à rádio Jovem Pan News, dia 13 de julho, quando abordado sobre jogadores contratados que jogavam em várias posições, Diego Cope afirmou: “Eu não gosto de improvisar: quem é zagueiro é zagueiro; quem é volante é volante. A menos que o Fahel Júnior queira colocar um volante como zagueiro, o que não é a questão abordada no plantel”. Ao contrário da visão do gestor, vimos o XV improvisar em todas as partidas. Cope também falou sobre a vinda do centroavante. “Com a chegada do Marcelo Fernandes, encerramos o ciclo de contratações. Nossa maior dificuldade para fechar o elenco, foi a chegada do centroavante. Já havíamos trazido um, mas precisávamos de outro com mais nome, mais peso, um fazedor de gols”.

Pois bem. Porque o atacante contratado para fazer os gols, não tem ficado nem no banco de reservas? “São escolhas. Temos a comissão técnica e um grupo para fazer a convocação. Da maneira que estamos jogando, com intensidade na frente, a opção foi por um ataque mais leve, mais rápido. O Marcelo está treinando e pode ser que figure ou não no próximo jogo, pois temos outros jogadores no grupo”, disse Fahel Júnior. Confesso que não consigo concluir se a contratação do atleta foi mal avaliada ou se apenas não agradou o treinador. Porém, é evidente dizer que se o XV não chutar a gol, a bola não vai entrar.

Vejo o comando perdido. Os resultados e o futebol apresentado são ruins. Após perder em casa para a Ferroviária, os atletas foram premiados com dois dias de folga. Acredita? O corpo precisa de descanso, mas faz o atleta ir ao estádio, assistir os erros cometidos, tira o jogador da zona de conforto. Mesmo na vitória sobre a Inter de Limeira, durante a partida, o XV ficou mais próximo da derrota do que da vitória. O time roda tanto em uma única partida que acredito que o técnico quer implantar uma nova versão do Carrossel Holandês. O problema é que o material humano disponível vai permitir rodar, rodar, rodar… e quem vai ficar enjoado é o torcedor, que apenas por amor ainda não abandonou a equipe. Faz o simples!

Há momentos em que a improvisação é necessária, mas não dá para chegar ao extremo como na partida contra a Ferroviária. O volante Gabriel Tonini, que vinha atuando como zagueiro, iniciou a partida em sua posição de origem. Aos 11min do segundo tempo, Fahel sacou o zagueiro Caio Souza e recuou Tonini. Entrou Lucas Formiga, atuando nos extremos e recuando Rafael Rosa para o meio-campo. Sete minutos depois, o Alvinegro tomou o terceiro gol. Sai o lateral-direito Mario Sérgio para entrada de Welton Paragua, que é atacante de velocidade, como já ressaltado em coletiva. Paragua passa a atuar centralizado, como falso 9; Danilo Melega, que também é atacante de beirada e estava atuando centralizado, retorna à lateral-direita; Romarinho vem buscar a bola no meio para ajudar na armação. Que salada! Falta de convicção.

É possível conquistar a classificação com esse time? Sim, mas algumas coisas precisam mudar. Em nenhuma partida notei a presença de um líder em campo. Pode parecer bobagem, mas faz falta. Com um elenco limitado, não dá para jogar com três atacantes que não resolvem na frente e deixar uma defesa que é insegura, ainda mais exposta. Aos que faltam técnica, compensem com vontade. Após cinco rodadas, o que nos foi apresentado é um time mais próximo da eliminação do que da classificação. Cabe aos atletas e ao treinador decidirem como querem ser lembrados no futuro pelos torcedores.

Marcelo Sá é jornalista no Líder Esportes e na Rádio Jovem Pan News Piracicaba

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