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Corpo & Mente

Resistência à insulina

Resistência à Insulina - Coluna Carlos Ribeiro

A resistência à insulina envolve uma resposta diminuída da ação da insulina nos tecidos alvos – fígado, músculos e tecido adiposo -, tendo uma redução na taxa de eliminação de glicose do plasma para uma determinada concentração de insulina, ou seja, cada vez será preciso maior quantidade de insulina para a quebra da mesma molécula de glicose. Diversos estudos têm demonstrado que a resistência à insulina está relacionada a um conjunto de alterações clínicas como a dislipidemia, hipertensão arterial e obesidade, formando o que se chama de síndrome metabólica, podendo ter por fim uma doença cardiovascular instalada.

Falta de exercício aliada ao excesso de comida leva à obesidade e, por consequência, em muitos casos, ao diabetes tipo 2

Os mecanismos ao desenvolvimento da resistência à insulina são multifatoriais, tendo em vista fatores ambientais, genéticos e hábitos alimentares. A insulina é secretada pelo pâncreas em resposta à ingestão de carboidratos, glicose e proteínas, induzindo a absorção e armazenamento do excesso de nutrientes. Durante a síndrome de resistência, insulina age de forma reduzida nos tecidos, obrigando o pâncreas a produzir mais insulina e elevando seu nível no sangue. O tecido adiposo (gordura) vem sendo alvo de pesquisadores para esclarecer a relação entre obesidade e resistência à insulina. O tecido não é considerado somente um armazenador de energia, mas também um órgão endócrino com funções de sintetizar e liberar proteínas biologicamente ativas.

Portanto, o excesso de tecido adiposo leva a um estado de inflamação crônica de baixo grau, induzindo o recrutamento de macrófagos aos adipócitos em resposta à quimiotaxia e assim liberando as adipocinas pró- inflamatórias, que são capazes de induzir alterações intracelulares influenciando diretamente na fosforilação dos substratos do receptor da insulina. Diante destes efeitos negativos que a obesidade e o excesso de lipídeos na dieta proporcionam na sensibilidade à insulina, pesquisas no mundo todo buscam entender qual mecanismo está relacionado aos benefícios proporcionados pelo exercício físico tanto na prevenção como no tratamento de patologias e disfunções metabólicas.

Para 99% dos médicos, não há dúvidas. A relação entre os temas é mais do que bem estabelecida nos manuais de medicina: falta de exercício aliada ao excesso de comida leva à obesidade e, por consequência, em muitos casos, ao diabetes tipo 2. Uma vez que você fica resistente à insulina, está no caminho para ficar diabético, que é o que acontece quando seu pâncreas não consegue mais produzir insulina suficiente para lidar com a resistência. Então, os níveis de açúcar no sangue começam a subir e uma cascata de efeitos patológicos saem do controle, podendo levar a doenças cardíacas, câncer e inclusive Alzheimer.

FAIXA DE RISCO

E quem tem risco de desenvolver a síndrome? Segundo as pesquisas, um em cada cinco adultos nos Estados Unidos tem a síndrome metabólica. A síndrome ocorre com mais freqüência entre os africanos, americanos nativos, asiáticos e hispânicos. Para a maioria das pessoas, o desenvolvimento da síndrome aumenta com o envelhecimento. O risco cresce se a pessoa tem uma vida sedentária, sem atividade física e se tem:

  • Aumento do peso, principalmente na região abdominal – circunferência da cintura;
  • Histórico de diabetes na família;
  • Níveis elevados de gordura no sangue;
  • Pressão alta.

A maioria das pessoas que tem a síndrome metabólica sente-se bem e não tem sintomas. Entretanto, elas estão na faixa de risco para o desenvolvimento de doenças graves, como as cardiovasculares e o diabetes. A resistência à insulina tem grande relação com o ganho de peso. Aquele velho paradigma de que todo gordinho come muito é uma grande mentira. O obeso tem uma série de processos inflamatórios ocorrendo em seu corpo ao mesmo tempo e isso causa uma grande disfunção estrutural.

O aumento da atividade física e a perda de peso são as melhores formas de tratamento, mas pode ser necessário o uso de medicamentos para tratar os fatores de risco. Entre eles, estão os chamados ‘sensibilizadores da insulina’, que ajudam a baixar o açúcar no sangue e diminuir a resistência. Normalmente, é necessário uma investigação clínica e laboratorial para melhor diagnóstico. Procure sempre o auxílio de profissionais bem capacitados. A obesidade esta longe de ser somente um problema estético.

Carlos Ribeiro é médico e colunista do portal LÍDER

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