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Taekwondo

‘Quero campeões, não colecionador de medalha’

Frederico Mitooka aposta na formação de talentos com estudo e disciplina

Frederico Mitooka, técnico do Centro de Alto Rendimento Dojan Nippon - Taekwondo Piracicaba
Mitooka quer revelar talentos e formar geração de atletas com valores no esporte (Foto: Líder Esportes)

Após a derrota de Guilherme Félix na Seletiva Fechada para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, Frederico Mitooka decidiu se afastar do tatame. O treinador deu por encerrado um ciclo de oito anos, que apesar de não alcançar a sonhada vaga olímpica, colocou Piracicaba no mapa do esporte com títulos estaduais, nacionais e internacionais, entre eles a cobiçada medalha de prata no Grand Prix de Manchester, em 2013. O técnico do Centro de Alto Rendimento Dojan Nippon, porém, busca outro caminho para seguir no esporte sem o estresse gerado pelo alto rendimento. Com novos planos e à espera da primeira filha, Yooko, Mitooka quer construir uma nova geração de valores no taekwondo piracicabano para o próximo ciclo olímpico.

LÍDER: Na primeira entrevista após a derrota do Guilherme Félix, em março, você disse que estava se sentindo vazio. De lá para cá, o sentimento mudou?
Lembro como se fosse hoje. Eu estava na arquibancada assistindo a luta dele. Nada saiu como planejado. Acho que o vazio foi o sentimento final para o desespero que senti. Foram oito anos em seis minutos, que se passaram como um flash. Foi algo como se eu estivesse deslocado de meu próprio corpo e, por algum tempo, perdi a noção do que aconteceu. Saí do ginásio, em Vitória, com uma mistura de raiva e ódio por todos os empecilhos que foram colocados e interferiram na performance esperada. Precisei de um tempo para refletir e entender que aquele sentimento gerado, na verdade, estava guardado há anos. Hoje, isso passou. Agora tenho outros planos e pretendo não vivenciar o mesmo sentimento ruim novamente.

LÍDER: Após deixar os tatames, quais são os próximos planos?
O futuro já é presente. A primeira coisa que fiz foi voltar a dar treinamento de base no Dojan Nippon aos associados com o objetivo de transmitir a bagagem esportiva adquirida ao longo dos anos para os mais novos, porém, com a preocupação de formar campeões de verdade e não colecionadores de medalhas. Neste contexto, quero ser o treinador da minha filha e quero que ela aprenda comigo o taekwondo, para garantir que a essência da arte marcial não se perca no meio do esporte. Por isso, voltei à ativa com os mais novos. Fiquei muito tempo apenas treinando atletas de rendimento e o ensino acontece em outro ritmo. Além disso, organizei um sistema para propagar o esporte com princípios marciais em algumas comunidades da cidade, com a participação de atletas mais experientes, como o próprio Guilherme Félix, em conjunto com outros associados que quiseram entrar nesta luta conosco. Futuramente, pretendo expandir o projeto Em Busca de Campeões para o alto rendimento, mas preciso esperar passar as Olimpíadas para saber como o esporte será readequado no país.

‘Na Portelinha, queremos criar um pólo para fixar a modalidade no local e oportunizar algo diferente para quem nunca teve uma segunda opção na vida’

LÍDER: Qual é a avaliação que você faz do início de trabalho destes novos projetos? 
Os treinos de base aos mais novos no Centro de Alto Rendimento me satisfazem de uma forma que jamais pensei. É muito gratificante ver o desenvolvimento e o interesse das crianças e jovens em aprender o taekwondo. Acredito que meu gosto pelo treino de base tende a aumentar com o passar do tempo e a chegada da minha filha Yooko. Os trabalhos sociais iniciaram na comunidade da Portelinha, onde atualmente atendemos cerca de 50 crianças e pretendemos alcançar a meta de 120 até o final do ano. Lá, queremos criar um pólo para fixar a modalidade no local e oportunizar algo diferente para quem nunca teve uma segunda opção na vida. Esta luta me motiva muito, apesar de saber que haverá mais derrotas do que vitórias.

LÍDER: Na prática, como funcionam as aulas para a base e os projetos sociais?
No Dojan Nippon, ensinamos o taekwondo para todas as idades e ambos os sexos. Trabalhamos o ensino do desporto marcial separado por faixas etárias para garantir o melhor aprendizado, ou seja, crianças treinam com crianças, adultos treinam entre adultos. Além disso, oferecemos treinos de flexibilidade,  fortalecimento do core e treinos físicos específicos que são complementares à prática do taekwondo. Também contamos com o acompanhamento de uma fisioterapeuta durante os treinos para dar suporte caso ocorra algum imprevisto ou incidente durante as atividades. Já nos projetos sociais, o foco está nas crianças e adolescentes até 14 anos, pois nesta idade conseguimos ministrar os treinos com mais qualidade para eles. Os que se destacam em termos de disciplina e técnica são convidados a treinar conosco no Centro de Alto Rendimento para se desenvolverem de forma mais rápida e eficiente.

LÍDER: Você disse que pretende formar uma nova geração de valores com o taekwondo. Como?
Por meio da disciplina e também dos estudos. Quero que todos atletas estudem para garantir uma carreira profissional e por isso estamos fechando uma parceria que proporcionará o ensino universitário a baixo custo para todos nossos associados e filiados do Centro de Alto Rendimento Dojan Nippon. Quero formar novos professores e treinadores para difundir o taekwondo na cidade. Esses são os campeões que estou em busca nesse momento.

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