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Opinião

Quem assume a camisa 9?

*Capa: Mauricio Bento/Líder Esportes

Demorou, mas finalmente o XV de Piracicaba voltou a vencer. A paciência e o otimismo que alguns torcedores haviam demonstrado na estreia contra o Red Bull, já não existia mais. As cobranças começavam a ganhar tons mais ríspidos, não apenas do torcedor, mas também da imprensa. Porém, no futebol, que sempre cobrará resultados, nada melhor do que uma vitória para acalmar os ânimos. O Alvinegro ainda não convenceu e acredito estar longe disso, dada a limitação do elenco. Mais importante no momento é ter vencido e entrado na zona de classificação para a próxima fase.

O sistema defensivo ainda passa insegurança. Independente de qualidade individual, acredito que jogar com apenas um volante tem contribuído para isso. O goleiro se destacou mais que os atletas de linha nas primeiras partidas, deixando evidente que algo precisava ser revisto. Contudo, quando o assunto é a bola aérea, tormento para o Alvinegro na estreia, não podemos negar que houve evolução. Os insistentes treinamentos para aprimorar nesse quesito surtiram efeito nos jogos seguintes, mesmo com formações diferentes da linha defensiva nas quatro partidas realizadas.

A tendência é que a defesa melhore. O setor ganhou mais uma opção com a chegada do zagueiro Doni, que é experiente e terá que se condicionar com bola rolando, pois não há tempo a perder. Embora continue acreditando que, individualmente, a maior qualidade do elenco está no meio-campo, tenho a impressão de que, coletivamente, as peças ainda buscam se encaixar. Em contrapartida, ofensivamente, está difícil ser otimista. Se fossem avaliados como na escola, com exceção de Romarinho, eu diria que os atacantes estão de recuperação. Precisam se esforçar mais para passar de ano. É claro que, também precisamos levar em consideração, diversas vezes os atacantes têm exercido funções diferentes das que estão acostumados, para atender as necessidades da equipe, o que os deixam mais vulneráveis às críticas.

A maior dificuldade de Fahel Júnior tem sido definir o centroavante. Nesta posição, quatro atletas diferentes foram testados nos jogos-treinos: Kaio Lucas, Welton Paragua, Danilo Melega e William José, que está lesionado. Nenhum convenceu como camisa 9. O mais experiente, contratado para ser o ‘homem-gol’, foi Marcelo Fernandes. O atacante ainda não jogou 90 minutos na Copa Paulista. Foi titular contra o Red Bull, saindo de campo aos 22min do segundo tempo. Ante o Noroeste, o atleta ficou a partida toda no banco de reservas e, no confronto com o Desportivo Brasil, entrou restando 12 minutos para o fim. Contra a Inter de Limeira, Fernandes não ficou sequer no banco de reservas. Porque está jogando pouco? Há algum problema físico, técnico? É o treinador quem pode responder.

O time precisa de um finalizador, que brigue na área. Há boa movimentação pelas beiradas, mas as características dos atletas que estão no elenco são mais de servir do que empurrar a bola para dentro. Restam poucas inscrições para serem preenchidas. O foco ainda é seguir vencendo e garantir a classificação. Para buscar algo maior, é preciso reforçar o elenco.

Marcelo Sá é jornalista no Líder Esportes e na Rádio Jovem Pan News Piracicaba

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