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Opinião

Queda

Não tem como esquecer os tempos dourados do basquete feminino no Brasil. Época gloriosa, inclusive para os piracicabanos. Num passado mais distante, o famoso Torneio Internacional das Estrelas lotava o ginásio de esportes para ver Maria Helena, Heleninha e tantas outras extraordinárias jogadoras. Mais recentemente, um elenco maravilhoso liderado pela Magic Paula proporcionava emoções inesquecíveis. Basquete de Hortência, Janeth, Branca e outras que brilharam também na Seleção Brasileira.

Depois dessa incrível geração de atletas, o basquete feminino parou. Tudo indica que o mesmo mal pode estar atingindo o futebol feminino do Brasil. O atual momento é preocupante. Embora Marta continue sendo saudada como a melhor do mundo, seguidas vezes premiada pela FIFA, o time brasileiro não mais consegue repetir as façanhas de anos atrás. Neste 2019, praticamente as vésperas do Mundial da França (em junho), o selecionado treinado por Oswaldo Alvarez, ou Vadão, coleciona resultados negativos. Foram sete jogos amistosos e sete derrotas.

Se existe Vadão, técnico experiente, como diretor aparece outro não menos experiente e de enorme conceito: Marco Aurélio Cunha. Dono de uma brilhante história no São Paulo Futebol Clube, o doutor Marco Aurélio deixou tudo na capital paulista, inclusive a Câmara de Vereadores, para assumir no Rio de Janeiro a coordenação da Seleção Brasileira de futebol feminino, a convite da direção da CBF. Agora, só dilema. Tudo está dando errado. Para uns, o time brasileiro tem uma direção superada, tanto dentro como fora do campo. Para outros, as grandes estrelas estão vendo o tempo chegar, idade avançando e não mais conseguem o mesmo rendimento.

O que fazer faltando menos de três meses para o Mundial? Muda o técnico? Muda tudo? Marco Aurélio Cunha lembra que antes existiam três ou quatro bons times e agora são pelo menos dez. Como no futebol masculino, não tem mais selecionado inocente. Incomoda o técnico Vadão, a falta de renovação das atletas. Lembra que a equipe depende muito de Marta e Cristiane. Formiga, para se ter uma ideia, ainda é titular com 41 anos de idade.

Tanto Marco Aurélio como Oswaldo Alvarez são alvos de críticas. O técnico já não mais teria o elenco na mão e o coordenador é apontado como um dirigente sem qualquer história ou identificação com o futebol feminino do Brasil. Tem quem aposte que nada vai mudar e tem quem espere por uma novidade ou surpresa a qualquer momento. Esperar para ver.

Roberto Morais é jornalista e deputado estadual

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