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Quando a pressão vence

A ginasta Simone Biles, grande estrela da Olimpíada de Tóquio, não aguentou a pressão. A estadunidense sentiu a responsabilidade em suas costas e começou a errar exercícios fáceis para ela ainda durante os primeiros treinamentos na capital japonesa. Já em competição, o erro na disputa do salto, aparelho que sempre dominou, foi o sinal de que havia algo de errado. Os holofotes em torno da atleta e a obrigação de pulverizar recordes nos Jogos Olímpicos afetaram a saúde mental e a estrela dos Estados Unidos literalmente desabou. Pediu para ser afastada da seleção com o aval da equipe médica. Ainda não se sabe se Biles abandonará definitivamente a competição. Definitivamente, ela não está feliz.

Infelizmente, o caso da americana não é o único. A estrela do tênis japonês, Naomi Osaka, também sentiu na pele essa pressão. Naomi, que teve a honraria de acender a Pira Olímpica, foi derrotada no evento de simples, seu primeiro torneio desde que desistiu do Aberto da França, em maio, quando revelou que sofria de depressão há quase três anos. Essas duas tristes situações nos lembram que até mesmo os superatletas não são máquinas, pelo contrário: seguem sendo seres mortais como todos os humanos. É também um ensinamento a torcedores e imprensa: de que nem sempre se deve colocar um peso desnecessário sobre os nossos campeões.

INDIGNAÇÃO

A atual edição dos Jogos Olímpicos nem chegou ao final da primeira semana e os erros contra o Brasil deixam indignados torcida e comentaristas. Primeiro foi Gabriel Medina, nitidamente prejudicado na semifinal em que perdeu para o japonês Kanoa Igarashi, na terça-feira (27). A boa vontade em dar uma nota 9.0 para o dono da casa já quase no final da disputa foi demais. Coincidentemente, era a nota que o japonês precisava para virar o jogo e ganhar vaga na final.

Depois, foi a vez da judoca Maria Portela ser garfada em Tóquio. Representante do Brasil na categoria 70 kg feminina, a gaúcha foi eliminada quarta-feira (28), ao perder para Madina Taimazova, do Comitê Olímpico Russo, nas oitavas de final. O revés ocorreu no golden score porque a brasileira foi desclassificada ao receber o terceiro shido. Antes, porém, Maria Portela teve um wazari não computado pelos juízes. O golpe teria definido a luta a seu favor. Não sou especialista em surf, muito menos em judô. Mas quem entende diz que, nos dois casos, fomos prejudicados pela arbitragem. Logicamente, não queremos ganhar no grito, mas não queremos ser prejudicados. Estamos de olho!

Erivan Monteiro é jornalista e cronista esportivo

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