fbpx
Opinião

Punição exemplar

O assunto foi um só após o clássico entre Corinthians e Palmeiras, nesta quarta-feira (22), pelo Campeonato Paulista: o erro bisonho do árbitro Thiago Duarte Peixoto. Após a expulsão absurda do volante corintiano Gabriel em uma falta cometida por Maicon, o juiz praticamente cavou a pá de cal na arbitragem. Se não for banido, levará uma punição exemplar e, depois, apitará somente em divisões inferiores – Série A3 ou Segunda Divisão. Elite, nunca mais. O quadro da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) é algo impossível neste momento. Oficialmente, a FPF (Federação Paulista de Futebol) avisa que vai afastá-lo para a famosa e famigerada ‘reciclagem’.

Vários fatores apontam para o triste fim. O principal deles é a arrogância. Todos nós erramos, é claro. Ninguém escapa de dar suas derrapadas em qualquer área da vida profissional. O senhor Thiago Duarte Peixoto, entretanto, mostrou que desconhece a palavra humildade. De reconhecer o lamentável equívoco e voltar atrás – com o perdão do pleonasmo.

Após o corrido, mesmo com todos apontando a ele que o cartão vermelho fora dado erroneamente a Gabriel, inclusive o quarto árbitro, ele preferiu manter a patética decisão. Pior: em um primeiro momento, nem mesmo citou o lamentável erro na súmula. Somente depois, após muita pressão, ele admitiu a ‘falha’ e consertou o documento.

Revoltado – com razão – o presidente do Corinthians, Roberto de Andrade, já afirmou que vai fazer de tudo para Thiago Duarte Peixoto ser execrado do futebol. “Vou pedir que não apite mais jogo de ninguém. De ninguém… Ele tem de ser banido do futebol, não pode ser nem torcedor, tem de passar a quilômetros de um estádio de futebol”, disse.

O mais alarmante é que esta postura de ‘semideus’ não é uma exclusividade de Thiago Duarte Peixoto. Invariavelmente, os árbitros brasileiros são assim. Blindados por suas federações, os homens do apito fazem o que querem, escrevem o que querem na súmula e não dão entrevistas, numa total falta de respeito aos torcedores, jogadores e demais pessoas ligadas ao espetáculo futebol.

Usam, a cada erro, a ‘muleta’ de que são amadores e precisam de ‘profissionalização’. Para mim, isso é balela. Não é uma função regulamentada, é verdade, mas só isso. Ganham muito bem para conduzir uma partida de futebol; apitam por que querem. E são preparados para isso – em São Paulo, pelo menos. Hoje em dia, fazem pré-temporada, têm nutricionistas, psicólogos, preparadores físicos, entre outros. Se não aguentam a pressão, que pendurem o apito. É necessário que, após esse episódio, alguma coisa mude.

Futebol envolve paixão do torcedor e é um negócio que tem muito investimento. Não pode apenas errar bisonhamente e pedir desculpas. Deve-se também colocar urgentemente pessoas competentes no comando das comissões de arbitragem e tirar das mãos pessoas inabilitadas. O esporte mais popular do Brasil não pode ficar como está. Definitivamente!

Erivan Monteiro é jornalista e cronista esportivo

Voltar