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Corpo & Mente

Psicólogo do esporte: intervenção do profissional tem limite

O papel do psicólogo no esporte e a importância que possui para o desempenho de times e profissionais já foi reconhecido e muito discutido no cenário esportivo. Mas, até que ponto o especialista pode auxiliar nos resultados? O que ele pode ou não fazer por um atleta ou equipe? Orientar na busca pelo autoconhecimento, bem-estar e no entendimento dos limites é o papel do psicólogo do esporte que auxilia o atleta de alta performance a respeitar o próprio tempo. Mas, gerar falsas expectativas acaba se tornando um erro recorrente em muitos atendimentos quando o assunto é conquistas de resultados.

“O psicólogo, muitas vezes, acaba criando uma expectativa que não deve. Ele não pode afirmar, por exemplo, que vai levar um atleta ou um time para a final de campeonato, porque um resultado assim não depende somente dele, depende do jogador e de toda a equipe, além dos adversários e de questões técnicas”, disse Bruno Vieira, psicólogo do esporte especializado em psicologia e desempenho esportivo pelo Fútbol Club Barcelona.

Bruno Vieira explica que, diferentemente do trabalho de um coach, responsável por motivar a prática de um hábito ou comportamento para alcançar metas e objetivos pessoais e profissionais, o psicólogo do esporte, por meio de métodos científicos, estuda o comportamento humano e os processos mentais e emocionais. “A nossa função é fazer com que o jogador enxergue o caminho para saber lidar com tal emergência, deixando claro que, mesmo com obrigações e cobranças, podemos, juntos, tornar todas estas situações mais amenas, mais tranquilas”, afirmou.

EXPECTATIVAS

Mesmo o psicólogo auxiliando a superar ou gerenciar problemas de relacionamento, ansiedade e depressão, entre tantos outros de ordem psíquica, o trabalho não deve exceder alguns limites. “Quem promete resultados em um determinado tempo vai desmotivar o esportista ao invés de motivar. Não se pode gerar falsas expectativas como a garantia de resultados. As falhas esportivas têm um peso muito grande no insucesso. Isso é um trabalho contínuo, uma busca eterna em prol da melhoria física e mental”, disse Bruno Viera.

Para o profissional, há quatro aspectos que todo psicólogo do esporte deve saber sobre o atleta: se ele pode aprender, se quer aprender, se sabe aprender e se sabe competir. “O meu limite chega ao limite do jogador. Eu posso ir até onde ele me permitir. É preciso respeitar o próximo e o tempo de assimilação para colocar qualquer mudança em prática. Psicólogo não promete, ele promove suporte psicológico para que o atleta encontre o próprio caminho e a solução que melhor se adapte ao caso”, completou.

*Texto: ML&A Comunicações

*Bruno Vieira é formado em psicologia e especialista em desempenho esportivo

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