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Basquete

Projeto utiliza esporte com foco no desenvolvimento humano

Em Piracicaba, Instituto Passe de Mágica trabalha 'equidade' com educandos

Instituto Passe de Mágica - Equidade
As atividades desenvolvidas ao longo da semana trabalharam com o conceito de equidade (Foto: IPM/Divulgação)

Num circuito montado em metade da quadra, cones são driblados por crianças e adolescentes, que sorrindo correm batendo bola, rumo ao garrafão, antes de fazer o arremesso. Parece, mas não é apenas um treino de basquete. Com o foco voltado para o desenvolvimento humano, o Instituto Passe de Mágica, associação sem fins lucrativos criada pela medalhista olímpica e campeã mundial de basquete, Magic Paula, trabalhou com o tema equidade ao longo da semana nos dois núcleos instalados em Piracicaba (SP): Tiro de Guerra e Vila Sônia.

O projeto utiliza o esporte como ferramenta de educação e, atualmente, atende cerca de 900 educandos em Piracicaba, Diadema e São Paulo. A didática varia de acordo com a faixa etária de cada turma: para os mais novos, os exemplos são mais simples; com os mais velhos, o conteúdo é mais elaborado. “A equidade é um tema que nós estamos desenvolvendo. As aulas são focadas no desenvolvimento humano deles, aproveitando o trabalho com bola para fazer escolhas, compreendendo as necessidades de cada um”, contou a educadora Kelly Cota.

Os exercícios são lúdicos, brincadeiras. Nesta faixa etária, não devemos aprimorar nenhum tipo de fundamento

A atividade começou com a brincadeira ‘pega-pega pacman’, com os educandos correndo sobre as linhas da quadra – primeiro com as mãos livres; depois, utilizando bolas de tamanhos diferentes, escolhidas pelas crianças e adolescentes conforme suas necessidades. Na sequência, foram realizados circuitos com dribles e arremessos, além de um jogo de basquete. No final, uma roda de conversa para reflexão. “Os exercícios são lúdicos, brincadeiras. Nesta faixa etária, não devemos aprimorar nenhum tipo de fundamento. É experimentar a modalidade em várias etapas”, afirmou Kelly, que completou:

“O carro-chefe do projeto é o desenvolvimento humano. Nós vemos as crianças e os adolescentes como seres humanos. Talvez, alguns não sejam jogadores de basquete, mas certamente todos serão bons cidadãos. O que nos encanta é encontrá-los daqui 10 ou 15 anos e saber que estão na faculdade, constituindo família. Depois de 13 anos no projeto, posso dizer que o feedback é muito positivo (risos). O principal é fazer eles terem autonomia para falar. Já ouvi deles: ‘Kelly, eu estava brigando com o meu irmão, mas fizemos uma roda de conversa em casa e conseguimos resolver’. Mediar os conflitos fora daqui é algo muito forte”, disse.

Kelly Cota, educadora do Instituto Passe de Mágica - Equidade

Kelly Cota é educadora no Instituto Passe de Mágica: ‘Feedback é positivo’ (Foto: IPM/Divulgação)

Nas rodas de conversa, ação que é bastante valorizada pelo Instituto Passe de Mágica, a reflexão vai além do que é produzido em aula. De acordo com Kelly, o objetivo é estimular o raciocínio dos educandos. “É um momento de reflexão sobre a atividade e o objetivo da aula, mas também abrimos a oportunidade para que eles possam contar algo fora do projeto, que eles vivenciam no cotidiano deles. Por exemplo: existe equidade aqui dentro. Mas, e na rua? Isso também acontece? Reparam isso em casa? Trazemos essa reflexão que é muito importante para eles”, finalizou a educadora.

Os núcleos do Instituto Passe de Mágica são mantidos com recursos via Lei de Incentivo ao Esporte, na esfera federal, o que possibilita o patrocínio das empresas Klabin, Caterpillar, IBM e Portocred. O IPM recebe apoio institucional da Nike e Laureus Foundation.

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