fbpx
Aikidô

Professor vê na arte a chance de mudar de vida

Sedentário e com diabetes, Huemerson consegue transformar vida com esporte

Huemerson Maceti, praticante de aikidô
O professor Huemerson Maceti enxerga o aikidô como uma grande família (Foto: Laerte Cassoli/Divulgação)

“O aikidô é pura física e geometria. Isso me fascina. O uso de centro de forças, velocidades, energias e centro de massa aguça meu interesse pela arte”. Aos 45 anos, Huemerson Maceti é professor de física e já perdeu as contas de quantas vezes utilizou exemplos da arte marcial japonesa para ilustrar as próprias aulas. Maceti é coordenador pedagógico do ensino médio no Colégio Puríssimo Coração de Maria, em Rio Claro, cidade onde vive, e repete a função no núcleo de engenharias da FHO-Uniararas, em Araras. O professor ainda encontra tempo para dar aulas no curso pré-vestibular Puríssimo Poliedro. Há quatro anos, porém, a vida dele precisou passar por um processo de transformação.

Com alimentação regrada e treino, a taxa de glicose de Huemerson se mantém regulada

“Na época, eu levava uma vida bastante sedentária e o estresse era bastante elevado em função do excesso de trabalho e estudos. Eu trabalhava praticamente três períodos por dia, estava acima do peso, com dores nas costas e baixa imunidade”, contou Maceti, que começou a treinar aikidô em 2013. “Isso aconteceu após uma crise glicêmica, que me deixou bastante debilitado. Comecei a passar mal, com muita fraqueza e sintomas de uma gripe forte. Procurei um especialista e fui diagnosticado com diabetes”, relatou.

Os problemas de saúde levaram o professor ao hospital. Após realizar um teste de glicemia, a taxa de glicose apontava 353 mg/dL, número três vezes acima do normal. “Pelo fato de a taxa estar muito alta, precisei ministrar insulina, duas vezes por dia, durante quatro meses”, afirmou. As atividades físicas entrou na vida de Maceti como obrigação. Mas a escolha de qual prática seguir não foi simples: a musculação estava descartada; as artes marciais não lhe davam satisfação em virtude da troca de golpes geralmente empregada.

“Nunca gostei de academia. Acho a prática de musculação entediante, mas gosto de artes marciais. Quando criança, pratiquei um pouco de karatê e de kung fu, mas nunca me identifiquei muito com elas. Sou uma pessoa muito tranquila e não me sinto bem trocando socos e chutes em um treino”, disse. Foi então que ele se lembrou de um amigo de infância, em Americana, com o qual treinava kung fu: Rosemberg Ferreira, ou melhor, sensei Rosemberg Ferreira. Ao mudar para Rio Claro, Maceti perdeu o contato com o amigo, mas retomou as conversas via redes sociais.

“Foi aí que eu soube que ele estava treinando uma modalidade de arte marcial totalmente diferente, muito eficiente e não agressiva, o aikidô. Fui me informar mais sobre a filosofia e me interessei muito por ela”, contou o professor. Hoje, ele treina três vezes por semana – com gosto, como faz questão de ressaltar. Maceti está se preparando para o exame do 2º kyu e vê, quatro anos depois, a completa mudança de hábitos: com alimentação regrada e muito treino, sua taxa de glicose se mantém próxima de 98 md/dL. Isso sem o uso de insulina. De forma saudável, emagreceu 20 kg.

“Após minha crise de diabetes, decidi mudar o rumo da vida e cuidar mais da minha saúde. Procurando informações sobre aikidô na região e descobri que aqui em Rio Claro havia um dojo. Fui participar de uma aula teste, com o sensei Fabrício Trivelato. Fiquei surpreso com a atenção dele e de todos os colegas de treino. Eu estava com 41 anos, acima do peso, me recuperando de uma crise de diabetes e sem preparo físico. A paciência de todos foi fundamental”, relembrou. “Minha qualidade de vida é muito melhor. Meu trabalho rende mais, minha resistência melhorou muito e, sem dúvidas isso é reflexo do aikidô”.

FAMÍLIA

Maceti define o aikidô como “uma grande família”, principalmente pela conduta dos praticantes. E por falar em família, ele tem no filho Guilherme, de 9 anos, um parceiro de treino. “Isso ajuda a trabalhar a relação de proximidade entre pai e filho, ajuda na questão de disciplina e respeito, além de ser uma ótima defesa pessoal. Sou muito grato pela qualidade de vida e pelo grupo de amigos vindos com o aikidô. E que venham muitos anos, já que não há um fim, mas uma melhoria constante da técnica, da percepção e do crescimento pessoal”, completou o professor, que em quatro anos, se transformou em um exemplo além do que qualquer aula de física pode ensinar.

Voltar