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Opinião

Preciso falar da Lusa

*Capa: Arquivo/Ruben Fontes Neto

Eu sei que esse espaço é prestigiado majoritariamente por torcedores do XV de Piracicaba. No entanto, hoje eu preciso falar da Lusa. Quem é de São Paulo ou pelo menos conhece um pouquinho de Sampa, entende a importância desse clube centenário. E para quem é da Zona Norte ou Zona Leste, como eu, então, tem pleno conhecimento do tamanho da Portuguesa. E quem acompanhou o futebol dos anos 1990 para trás também sabe muito bem quem é o Rubro-Verde do Canindé.

A Portuguesa sempre reinou soberana, até o final os anos 1980, como o maior clube social da capital. Chegou a ter, dizem os mais otimistas, mais de 100 mil sócios. Dado que não duvido, pois, para evitar briga entre amigos e racha na família que tinha corintianos, palmeirenses e são-paulinos, todos optavam por ir juntos à Portuguesa.

Vale lembrar que o clube do Corinthians fica a poucos quilômetros da Lusa, mas não tinha a mesma força. Aos domingos, as piscinas bombavam no clube lusitano e os bolinhos de bacalhau e os pastéis de Belém não sobravam nenhum sequer para contar a história no final do dia aos finais de semana. Era um programa de paulistano, sem dúvida!

Já dentro das quatro linhas, no futebol, a Lusa sempre foi chamada carinhosamente de quinta força de São Paulo. Sem nenhum demérito. Pelo contrário. Batia de frente com os quatro grandes. E muitas vezes ganhava. Era clássico quando encarava o Palmeiras no Palestra Itália ou o Corinthians no Pacaembu.

E se voltarmos um pouco mais no tempo chegaríamos a nomes maravilhosos da história do futebol que vestiram o manto verde e vermelho, como Djalma Santos, Julinho Botelho, Félix, Leivinha, Marinho Peres, Enéas, Roberto Dinamite, Dener e Zé Roberto, todos jogadores de seleção brasileira. Isso sem contar os técnicos como Oto Glória, Zagallo e Candinho, entre outros.

Mas maltrataram muito a Portuguesa. Maltrataram muito o seu torcedor nos últimos anos. Tenho um grande amigo dos tempos do colégio, o Marcos Machado, que é um torcedor fanático da Lusa. O jornalista Henrique Damy, outro amigo, também ama a Lusa. Ambos pensavam que não mais viveriam a emoção do último sábado (9), o dia da volta da “Namoradinha do Brasil” – como dizia o locutor Oswaldo Maciel em suas transmissões – à elite o futebol de São Paulo.

Vi ao emocionante vídeo do Jorge Nicola, competente jornalista esportivo, ex-ESPN, em seu canal no YouTube. Foi às lágrimas pela Portuguesa. E tantos outros que sofreram com os desmandos dos últimos anos. Mas a Portuguesa é grande e está de volta! É clichê, mas no caso da Lusa é verdade: ela voltou ao lugar que nunca deveria ter saído.

Que a partir de agora, a Portuguesa possa se reerguer e voltar a ser grande. Tem uma torcida apaixonada que merece ser melhor tratada. Nesta quinta-feira (14), ela começa a fazer a final da A2 contra o São Bento. Primeiro jogo às 19h, em Sorocaba. Segundo jogo no domingo (17), no Canindé, no mesmo horário. O objetivo principal já conquistou. Mas o título coroaria o trabalho brilhante com mais uma taça para a galeria desse clube que está no coração dos paulistas e paulistanos.

Erivan Monteiro é jornalista e cronista esportivo

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