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Opinião

Porque a diretoria rescindiu o contrato de Guly?

*Capa: Arquivo/Mauricio Bento

A resposta para o título da coluna é bem simples: para corrigir erros cometidos pela própria diretoria. Erros que começaram na avaliação do jogador para disputar o Campeonato Paulista da Série A2. Foi contratado o histórico, e não o atleta. O objetivo era ter Guly atuando como meia. Após o primeiro jogo, o próprio jogador disse em entrevista que não atuaria mais fora de função. Era preciso justificar o investimento. Sobrou para Bruno Formigoni. No terceiro jogo, goleada para o Oeste e uma coletiva concedida pelo atleta, reclamando do torcedor. Era o fim. Nesse momento, acabava o ciclo de Guly no XV de Piracicaba. Somente um futebol acima da média poderia fazer o torcedor relevar, mas era nítido que isso não aconteceria. O que a diretoria deveria ter feito? Rescindido o contrato naquele momento.

Mas, como é de praxe na atual direção, tudo demora para acontecer. “Ainda que o corpo do cadáver esteja em decomposição há semanas, a diretoria prefere esperar para ver se o coração voltará a bater”. O jogador continuou sendo contestado e o treinador insistindo no erro. Conclusão: dos 14 gols que o Alvinegro sofreu no campeonato, Guly estava em campo em 12. Com Bruno Formigoni em campo, o XV sofreu apenas cinco. Mas, o que fazer com Formigoni machucado? Dar oportunidade para o Gilson ou Jonathan Costa. Piza priorizou um volante com saída de bola, como ele mesmo dizia, mas o que se viu no campeonato foram toques para o lado. Quando era preciso marcar, com exceção do jogo contra o Juventus, era um desespero. Sem velocidade e sempre chegando atrasado.

E o que realmente muda no XV com a saída de Guly? Pouca coisa. A tendência é melhorar a marcação. A criação das jogadas continuará um ‘Deus nos acuda’. Em nove jogos, foi o atacante Fabinho que se mostrou o melhor armador. Mas, o Norton não foi contratado para resolver o problema no meio-campo? Sim. E o que ele mostrou até agora? Um excelente passe para Fabinho e um bom chute a gol, ambos contra o Penapolense. Pelo que apresentou, mostra que foi contratado apenas para que os críticos parem de pedir a contratação de um meia.

Se houve erro em 2017, montando um elenco jovem demais, também houve em 2018 contratando veteranos demais. Mas, quando os responsáveis pela montagem do elenco são cobrados, “os donos da verdade” nunca aceitaram as críticas. Falta humildade na atual diretoria, se é que algum dia existiu. Falta aparecer, pôr a cara para bater em momentos de pressão. É pedido para o torcedor associar-se, contribuir com o Semae, comparecer ao estádio, mas quando o calo aperta, a diretoria só se posiciona via assessoria de imprensa. E porque é assim? Porque não aceitam críticas, não aceitam cobranças. Eles estão sempre certos e o resto está errado.

O torcedor comum, a massa em geral, precisa ouvir o posicionamento do mandatário do clube. Isso se faz em coletiva de imprensa, não se reunindo isoladamente com um pequeno grupo de torcedores. Comandar o XV, que move paixão, é diferente de fazer reunião de condomínio. Os jogadores que entram em campo, e muitos deles estão devendo futebol, o técnico, o gestor de futebol, que é remunerado, todos precisam ser cobrados. A responsabilidade pela situação que o time vive no campeonato tem que ser dividida, cada um com sua parcela de culpa.

As contas do XV estão controladas, os salários não atrasam há cinco anos, a estrutura está entre as melhores do estado de São Paulo e o marketing vai muito bem, o clube não conquistou ranking ouro na Federação Paulista por acaso. E o futebol, que é o maior marketing de um clube? Esse está no vermelho, devendo bastante. Pelo que vem mostrando, me faz lembrar uma frase da minha infância, sempre que meu time perdia: “O mais importante é competir”.

Marcelo Sá é jornalista no Líder Esportes e na Rádio Jovem Pan News Piracicaba

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