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Planejando emagrecer?

Planejando emagrecer - Cassiano de Santis

Comer demais engorda. O excesso de gordura faz mal ao organismo: aumenta os riscos de doenças cardíacas, metabólicas, psiquiátricas e gastrointestinais, reduz a capacidade funcional e a qualidade de vida. O problema é sério, mas a solução é simples: atividade física e uma dieta equilibrada com menos calorias.

Se você – ou alguém próximo – vive esse problema, sabe que a ‘solução simples’ tem pouca chance de sucesso, já que a maior parte dos obesos não consegue mudar de hábitos por tempo suficiente para ver a diferença. O senso comum diria que falta empenho, mas um problema sério necessita de uma resposta também séria, que talvez não esteja nas calorias.

Isso porque as calorias que gastamos e consumimos são algumas das milhões de informações que chegam todos os dias ao cérebro, a central de comunicação do corpo. Há algum tempo, cientistas começaram a desconfiar que o ganho exagerado de peso poderia ser, na verdade, uma falha de comunicação. Dessa desconfiança surgiram estudos sobre a relação entre o cérebro e o comportamento do obeso – a neuropsicologia da obesidade. Já é bem sabido que para executar qualquer tarefa, das mais complexas às mais simples (como se alimentar) o cérebro precisa reunir as informações necessárias, ignorar as desnecessárias que podem distraí-lo e, se for preciso, corrigir o plano inicial.

Conforme as pesquisas avançam, fica cada vez mais claro que muitas pessoas obesas não conseguem emagrecer porque seus cérebros não executam corretamente as duas etapas finais – ignorar as distrações e se adaptar às mudanças. Na prática: começam a se exercitar e comer de uma maneira melhor, mas após alguns dias encontram dificuldades e, sem conseguir criar alternativas, acabam retomando os velhos hábitos.

Uma história conhecida, não é? Provavelmente, sim. Mas já podemos interpretá-la de outra forma. Se tratarmos a dificuldade de melhorar a alimentação e praticar atividades físicas como um problema de empenho, temos pouco a fazer além de culpar a pessoa e cobrar que ela melhore. Por outro lado, quando compreendemos as funções neuropsicológicas que estão envolvidas no controle do comportamento, podemos treiná-las como treinamos os músculos para tomar decisões melhores com menos esforço.

Para encerrar, um cuidado necessário: todas as pessoas têm características neuropsicológicas diferentes; algumas delas, em nossa sociedade, facilitam o ganho de peso e levam à obesidade. Isso não quer dizer que obesidade seja um problema cognitivo.

Cassiano de Santis é psicólogo especialista em Neuropsicologia

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