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Jiu-Jitsu

Piracicabano tem evolução ‘meteórica’ no jiu-jitsu

Paulo era obeso e sedentário há 5 anos; hoje, é o atual campeão sul-americano

Paulo Santos é lutador piracicabano de jiu-jitsu
Paulo sonha em conquistar o título de campeão mundial de jiu-jitsu e deixar legado no esporte (Foto: Líder Esportes)

Há cinco anos, o piracicabano Paulo Francisco dos Santos, 43, pesava 112 kg e sofreu um infarto que o fez mudar radicalmente de vida. Ao ouvir de um médico que estava obeso e precisaria deixar o sedentarismo para viver com qualidade e sem riscos, ele logo se deu conta de que teria não apenas de mudar a alimentação, mas também fazer algum exercícios. Assim, Paulo começou a pedalar e depois correr. Competitivo desde criança, tomou gosto pela prática de esportes. “Não gosto de perder nem par ou ímpar (risos). Competi no ciclismo e em corridas de rua, e cheguei a participar de meia maratona”, contou.

Aquilo, porém, não era satisfazia o desejo de Paulo competir. No bate-papo com colegas de corrida e pedal, ouviu falar pela primeira vez do jiu-jitsu. “Eu escutava o pessoal falando e resolvi fazer também. Minha primeira aula foi no dia 16 de outubro de 2015. Como eu era ‘fortão’, o pessoal respeitava bastante. Quando entrei no jiu-jitsu, os professores colocaram eu para treinar com moleques de 15, 16 anos, e eu não conseguia fazer nada. Eu pensava: ‘Se eu pegar esse moleque na mão, ele não tem a menor chance’. Mas o jiu-jitsu não é pancadaria, é um esporte de muita técnica e, claro, com muitas regras”, disse.

‘Até hoje, nunca tive ajuda ou patrocínio. Já vendi guitarra e saxofone para lutar no Chile. Sempre valeu a pena’

Aos poucos, o espírito competitivo de Paulo voltou a falar mais alto e ele decidiu por conta própria participar de seu primeiro campeonato, Premium Cup, em Campinas. “Não avisei ninguém e perdi logo na primeira luta. Depois daquele dia, falei para os meus professores que queria competir e tive de aprender a lidar com o peso da categoria e aprimorar as estratégias”, afirmou o piracicabano, que é professor de filosofia na rede estadual de ensino, trabalha aos finais de semana como Uber e ainda atua em uma empresa de logística. “Pobre precisa trabalhar, né? (risos)”, brincou.

De lá para cá, o Paulo não deixou mais o tatame. Atualmente, ele compete na categoria máster 3 leve (-76 kg), pela CBJJ (Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu), e treina no Studio Beto Garcia, e com a equipe Grace Humaitá, do professor Renato Lage. O primeiro título veio em 2017, no Open de Sorocaba. Hoje, ele é faixa azul e está com o exame de graduação para a roxa marcado, em dezembro. O currículo de conquistas aumentou: campeão estadual e máster sul-americano, o piracicabano subiu ao pódio duas vezes na semana passada. No sábado (17), o lutador sagrou-se campeão sul-americano pela CBJJ, em São Paulo; no domingo (18), Paulo foi vice-campeão do Abu Dhabi Grand Slam de Jiu-Jitsu, no Rio de Janeiro.

Paulo Santos, lutador piracicabano de jiu-jitsu, e o técnico Beto Garcia

Paulo e o mestre Beto Garcia: evolução meteórica no jiu-jitsu (Foto: Leonardo Moniz/Líder Esportes)

“Foi uma loucura. Fiz as inscrições para os dois eventos, mesmo sabendo que poderia no lutar no mesmo dia e assim perderia alguma competição. Quando soube que eu lutaria em datas diferentes, não tive dúvidas em ir nas duas. Saí de casa às 4h da manhã, no sábado, peguei o ônibus e fui para São Paulo, e depois para Barueri. Lutei às 13h e ganhei as duas lutas que fiz por finalização. Assim que acabou o campeonato, fui para a rodoviária e peguei um ônibus para o Rio de Janeiro, à noite”, contou.

“Cheguei no Rio às 6h, dormi mal dentro do ônibus e estava cansado por ter feito outra competição. Mas, claro, estava preparado. A pesagem era até 9h30 e fui rápido para a Arena Carioca, que é longe. Cheguei em cima, fiz a pesagem e depois lutei às 13h. Ganhei a primeira por finalização também, e fui derrotado na final por pontos. Na minha categoria, nunca fui finalizado. Saí do Rio de Janeiro 22h40 e cheguei em Piracicaba de manhã, e já fui trabalhar (risos)” relatou o lutador.

Perguntado sobre as ambições que tem no esporte e quais são as motivações para seguir lutando, Paulo relevou seus sonhos e disse que tem um projeto a longo prazo. “A minha ambição como atleta é chegar à faixa preta e, se possível, alguma coral. No futuro, penso em montar uma academia, ter um projeto voltado para competidores. Viver de jiu-jitsu? Quem sabe. Meu sonho é ser campeão mundial. Eu sou máster e dentro da minha realidade quero e vou ser campeão mundial. Até hoje, nunca tive ajuda ou patrocínio. Já vendi guitarra e saxofone para lutar no Chile. Sempre valeu a pena”, finalizou.

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