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Paolo me fez chorar

O futebol mundial perdeu nesta quarta-feira (9) mais uma de suas maiores estrelas. O italiano Paolo Rossi, algoz do Brasil na Copa da Espanha, em 1982, morreu aos 64 anos com causas ainda não divulgadas. Duas semanas depois de Maradona, craque da Copa de 1986, agora foi a vez do grande destaque da Azzurra no terceiro título de sua rica história no futebol. Muito triste.

Eu vivi intensamente aquela Copa. Tinha 8 para 9 anos e foi a minha primeira experiência em mundiais. O time de Telê Santana era o favorito disparado. E o mais interessante era que, até aquele momento, contra o Brasil, Paolo Rossi era apenas ‘mais um’. Porém, contra nós, o ex-atacante da Juventus só não fez chover: marcou os seus três primeiros gols na Espanha e nos mandou para casa.

Paolo Rossi, depois de despachar o Brasil, seguiu voando alto. Marcou mais dois gols contra a Polônia, nas semifinais; e mais um na decisão, diante da Alemanha. Fez seis tentos e, em três partidas, se tornou o artilheiro e melhor jogador daquele Mundial. Curiosamente, assim como Maradona, que era ‘El Pibe de Ouro’, Rossi era apelidado de ‘Bambino D’Oro’.

Voltando ao fatídico jogo em que Rossi brilhou, todos estavam confiantes lá na minha ‘Vila’, à espera do embate. Éramos uma turma de meninos de 8, 10, 15 anos. Fizemos bolão, pintamos a rua, tingimos nossas camisas com a cor canarinho. A confiança estava nas nuvens principalmente depois da vitória diante da Argentina, na partida anterior.

Era 5 de julho de 1982. Apesar de muito jovem, eu me lembro muito bem desta partida. Vi a este duelo na casa de uma vizinha, que estava lotada. Virou uma extensão do lendário Sarriá. Sofremos até o final… E choramos depois do final. Foi a única vez que chorei por causa de uma partida de futebol. Foi injusto porque o Brasil era, reconhecidamente, a melhor seleção. Só tínhamos craques. Mas a Itália tinha Paolo Rossi.

Anos depois, essa partida ganhou a alcunha de ‘Tragédia de Sarriá’, em referência ao estádio do Espanyol, tradicional clube da Catalunha. Anos depois, em 1997, essa arena que tinha capacidade para cerca de 40 mil torcedores foi demolida. Só ficou a história.

Paolo Rossi nasceu em Florença, mas foi em Turim a sua consagração. Pela Juventus ganhou quase tudo. Conquistou duas vezes o Campeonato Italiano e ainda venceu a Liga dos Campeões, em 1984/85, e a Copa da Itália, entre outros. Foi um dos maiores jogadores da Itália, sem dúvidas. Por isso, merece todas as honras. Se em 1982, o Brasil chorou a eliminação do time canarinho na Espanha, hoje o mundo chora a perda desse grande personagem do futebol.

Erivan Monteiro é jornalista e cronista esportivo

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