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Basquete

Pão de Açúcar é condenado por danos morais contra ex-XV

Richard foi vítima de injúria racial e preconceito ao ser perseguido na loja

Richard, armador da equipe de basquete do XV de Piracicaba
Richard defendeu as cores do XV de Piracicaba e continua trabalhando na cidade (Foto: Arquivo/Mauricio Bento)

O grupo Pão de Açúcar foi condenado pela Justiça de São Paulo a pagar R$ 10 mil por uma conduta hostil praticada contra o ex-atleta da Associação de Basquetebol XV de Piracicaba, o educador físico Richard Augusto. A decisão ocorreu em janeiro. Richard foi perseguido por dois funcionários da segurança do supermercado, em Piracicaba, como suspeito de furto. A advogada do ex-jogador, Natália Canto, relatou que o cliente se sentiu vítima da prática de injúria racial e de preconceito pelo fato de ser negro e estar com trajes simples, respectivamente.

Os desembargadores do TJ-SP (Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo) condenaram a rede varejista por dano moral. Na avaliação do Tribunal, Richard “foi seguido sem justificativa legítima no estabelecimento, o que humilha, vexa e causa sentimento de impotência, abalando psiquicamente quem se vê constrangido a essa situação; de modo algum trata-se de mero aborrecimento ou dissabor ser tratado como ‘suspeito’ por sua aparência, cor ou modo de trajar”.

‘Sei que as mesmas circunstâncias que eu vivi acontecem com mais pessoas diariamente. Foi constrangedor e me abalou’

A decisão foi publicada no acórdão do órgão estadual e assinada pelo relator Soares Levada. A multa já foi paga pelo grupo Pão de Açúcar dentro do que sentenciou, em abril de 2018, o juiz Mauro Antonini, da 5ª Vara Cível de Piracicaba. “Se você se sentir alvo de qualquer constrangimento, faça um Boletim de Ocorrência e procure um advogado. A defensoria pública também presta um excelente serviço na cidade”, recomendou a advogada do ex-jogador do Alvinegro.

Em julho de 2017, Richard foi ao Pão de Açúcar para comprar um presente de dois anos de casamento e procurava produtos para montar uma cesta. Ao perceber que estava sendo seguido pelos seguranças, perguntou se havia algum problema. Um dos funcionários respondeu que tomaria providências conforme a política de segurança da empresa, fazendo um gesto com o telefone, como se fosse chamar a polícia. Richard endossou a ação do segurança e pediu para que ele ligasse para o 190.

CONSTRANGIMENTO

A compra não foi efetuada pelo cliente, uma vez que a perseguição continuou e deixou o ex-jogador em situação vexatória, atraindo a atenção de outros clientes. Richard, junto com uma testemunha, retornou à loja para pedir as imagens da câmera, mas o material foi negado pela empresa à vítima. No mesmo dia, o educador físico ouviu de um funcionário administrativo que havia ocorrido “uma falha da parte dos seguranças quanto à abordagem”.

“O que me interessa do mercado é que me peça desculpas publicamente. Isso porque sei que o dinheiro (a multa) para a empresa pode não ter feito os responsáveis entenderem a gravidade da situação que aconteceu naquele dia. Também sei que as mesmas circunstâncias que eu vivi acontecem com mais pessoas diariamente. Foi constrangedor e me abalou emocionalmente ser considerado um criminoso sem ter feito nada”, declarou o educador físico.

*Texto: Cristiane Bonin

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