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Opinião

Os melhores jogam

*Capa: Cesar Greco/Palmeiras

A vitória do Palmeiras diante do Tigre por 2×0, na Argentina, nesta quarta-feira (4), na estreia da equipe brasileira na Copa Libertadores, mostrou um Verdão muito ofensivo, quase um Kamikaze, com quatro atacantes, além de dois volantes que saem para jogo e laterais que apoiam o tempo todo. Isso mostra que o técnico Vanderlei Luxemburgo voltou com tudo aos melhores dias de estrategista. Apesar da fragilidade da equipe argentina, não se pode diminuir o mérito do Palmeiras, que já tinha uma defesa forte (apenas três gols sofridos em 11 jogos em 2020) e agora tem um ataque poderoso com Dudu, Rony, Luiz Adriano e Willian.

É a tática de encaixar os melhores no time. Na Copa de 1970, por exemplo, o técnico Zagallo colocou nada menos que cinco camisas 10 naquela equipe espetacular que encantou a todos. Resultado: o Brasil levantou o tricampeonato no Mundial do México com os pés nas costas e se transformou na maior equipe de todos os tempos do esporte mais popular do mundo. A ousadia do Velho Lobo de escalar no mesmo time Gerson (10 do São Paulo), Rivelino (10 do Corinthians), Jairzinho (10 do Botafogo), Tostão (10 do Cruzeiro) e, é claro, o Rei Pelé (10 do Santos) foi um prêmio para os amantes do futebol. Feliz de quem viu essa máquina de jogar bola.

Logicamente, alguém tinha de ser sacrificado, por isso Tostão atuou quase que como um segundo volante ao lado de Clodoaldo, com Rivelino e Gerson armando e Jairzinho e Pelé (que jogou com a 10, por motivos óbvios) no comando do ataque do escrete canarinho. O Palmeiras, logicamente, não tem nem de perto o talento da seleção do tricampeonato, mas os conceitos são os mesmos. O técnico Vanderlei Luxemburgo, que tem como marca do jogo ofensivo, arrumou um lugar para o recém-chegado Rony no time titular.

Com Dudu por dentro, armando, sobrou para os meias do grupo. Gustavo Scarpa, Lucas Lima e Rafael Veiga ‘dançaram’. E Luxa já sinalizou que será assim sempre que precisar. A vitória na estreia da Libertadores o credencia a repetição dessa formação. Tomara, pelo bem do bom futebol.

Erivan Monteiro é jornalista e cronista esportivo

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