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Obrigado, doutor Miguel

Eu era a favor da continuidade do futebol nesta época de pandemia. Para mim, o futebol seria um lugar seguro contra esse terrível mal. Mas, depois que vi a entrevista do médico e neurocientista Miguel Nicolelis, nesta quarta-feira (17), no Redação SporTV, mudei radicalmente o meu conceito. Agora, passo a defender a parada total e imediata do futebol no Brasil.

Entre as ponderações do doutor Miguel está o exemplo que o esporte daria à nação. Parar neste momento seria, antes de tudo, um ato de cidadania dos clubes e federações. “Se o futebol não para, fica a mensagem de que tudo está normal”, declarou o neurocientista, que também é um amante de futebol e torcedor fanático do Palmeiras.

Além disso, ele diz que, com os jogos sendo realizados normalmente, as pessoas passam a se aglomerar em bares, passam a receber amigos em suas casas para churrasco, entre outras situações que são o estopim para a doença. No caso dos atletas, as idas e vindas em aeroportos e hotéis quebram qualquer planejamento anti-Covid. “Protocolo não é vacina. Protocolo tem falhas”, sustenta.

Ele lembrou, em sua justificativa, que o meia Cantillo teve de sair da concentração do Corinthians há alguns dias porque teve o exame positivo. O lateral Lucas Piton, também do Corinthians, jogou o dérbi contra o Palmeiras, pela primeira rodada do Paulistão, infectado. Vale lembrar que o Alviverde jogou o clássico na semana da final da Copa do Brasil diante do Grêmio. Olha o perigo!

O próprio fato de o atacante Gabriel Barbosa, do Flamengo, ter sido detido em um cassino clandestino, no último final de semana, em São Paulo, é um gol contra para aqueles que são a favor da continuidade da bola rolando no auge da pandemia. Isso prova que nem sempre os atletas de futebol colaboram para essa suposta eficiência do protocolo criado pelas federações e clubes.

Para finalizar, o neurocientista deu outro dado alarmante sobre o atual estágio do coronavírus: segundo ele, nem se o Brasil fechasse totalmente por 30 dias, a partir de hoje, resolveria o problema de lotação nas UTIs de todo o país. “Se não vacinarmos um milhão de pessoas por dia, chegaremos até o final do ano a 500 mil mortos. Os governadores precisam se unir e decretar o lockdown”.

Deu medo da fala do doutor Miguel Nicolelis. Acho que agora a ficha começou a cair. Que sejamos menos intransigentes. A FPF (Federação Paulista de Futebol) quer a continuidade. Os clubes querem a continuidade. Mas não podemos ficar alheios ao ver tanta gente morrendo diariamente (estamos chegando perto das 3 mil mortes por dia). O futebol pode esperar. As vidas são mais importantes.

Erivan Monteiro é jornalista e cronista esportivo

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