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Opinião

O XV vence. Convence?

*Capa: Michel Lambstein

Não dá para negar que a campanha do XV de Piracicaba na Série A2 do Campeonato Paulista é muito boa. É para exaltar, aliás. A equipe dirigida por Tarcísio Pugliese é muito difícil de ser batida – completou dez partidas sem perder contra a Portuguesa Santista, neste sábado (7), oito pela Série A2 e duas pela Copa do Brasil. Soma 19 pontos, detém aproveitamento de quase 60%, compensa os poucos gols que faz com os pouquíssimos que sofre, e ainda não foi superada no Barão da Serra Negra.

A frieza dos números pode alimentar o discurso de que tudo vai bem, obrigado, exatamente como o que reproduziu Tarcísio após o empate na última quarta-feira (4), em Monte Azul Paulista, jogo que o técnico do Alvinegro avaliou como o melhor da equipe no Campeonato Paulista. Não creio, professor. Na visão do colunista, que não entende e não tem a pretensão de entender de futebol tanto quanto o treinador, foi um excelente resultado, contra o líder, fora de casa. O desempenho, tão cobrado em análises resultadistas, foi satisfatório. Ponto.

Mas não existe estatística capaz de esconder a impressão do que se vê no campo. E o que se vê após 11 partidas da Série A2 é o XV com bastante dificuldade para criar, um time que depende ao extremo da lucidez de Daniel Costa, um perigo inclusive quando não está tão bem. O camisa 10 não foi brilhante contra a Santista, mas foi decisivo para o lance que decretou o resultado do jogo. Além do gol, as duas bolas que o XV acertou na trave tiveram origem em seus pés. Como também foi decisivo (novamente) Mota, que defendeu pênalti de Gabriel Terra e uma bola muito difícil de Kalil. Baita goleiro.

O time piracicabano está virtualmente classificado para a segunda fase e vai brigar pelo acesso, sobretudo porque tem no elenco peças desequilibrantes, capazes de decidir resultados. Alemão, Jussani e Feijão, por exemplo, estão nessa lista, cada qual em sua função. Contudo, a sensação é de que poderia ser melhor, como foi em boa fatia de 2019, para não ir longe demais. A responsabilidade não é só de Tarcísio Pugliese, óbvio. Não dá para desconsiderar as lesões que obrigam o treinador a quebrar a cabeça para escalar o time titular rodada após rodada. O acúmulo de jogos também pesa. No ponto de vista do colunista, porém, nada tem mais peso do que o desempenho individual ruim de jogadores como Kadu ou Marcelinho, titulares ontem. A crítica é repetitiva, mas não é ofensiva; estão mal e ponto.

A verdade é que qualquer que seja a avaliação, o que manda no futebol é o resultado. Se o XV de Piracicaba conseguir o acesso, jogue o que jogar, dando espetáculo ou aos trancos e barrancos, para citar dois extremos, pouco importará o desempenho. Nisso, talvez, estejamos todos de acordo.

Leonardo Moniz é editor de conteúdo do LÍDER

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