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O XV quis ganhar. O Rio Claro, não perder

*Capa: Antonio Trivelin/Gazeta de Piracicaba

De zebrado, e não de branco, como gostaria Cléber Gaúcho, o XV de Piracicaba venceu o Rio Claro com clareza. No Barão da Serra Negra com público interessante, pouco abaixo dos 7 mil esperados pela diretoria, o XV foi o único interessado em jogar bola. O Rio Claro veio para cá para não perder. E perdeu. Medina, o bom número 9 de camisa azul, tentou tumultuar o jogo desde o início, ora simulando faltas, ora fingindo lesão. O máximo que conseguiu foi o cartão amarelo ao cometer falta dura sobre Samuel. Na cobrança, Zé Mateus foi magistral.

O gol que deu a vitória magra ao XV no primeiro jogo da semifinal foi idêntico ao que o Zé Mateus marcou contra o Bragantino, 1×1, na primeira fase. Naquele dia, Romarinho perdeu um pênalti aos 51min do segundo tempo, chorou antes de entrar no vestiário e pediu desculpas aos torcedores no dia seguinte. E o que isso quer dizer? Bastante. O XV é a cara de Romarinho; é voluntarioso. Na equipe titular, não há nenhum jogador que recolhe o pé em bola dividida. Na reserva, há restrições. Rodolfo parece sem apetite. É por isso que perdeu espaço para o esforçado Rafael Gomes.

Contra o Rio Claro, não foi a melhor partida do XV na Copa Paulista, mas, provavelmente, foi aquela em que os jogadores mais se entregaram. Do primeiro a 90º minuto. Lucas Frigeri, camisa 1 do Rio Claro, trabalhou por ele e por Mateus Pasinato, que não pegou na bola. O XV encurralou o Rio Claro por dez minutos. Depois, Sérgio Guedes, que não é bobo, mas também está longe de ser gênio, aproximou as duas linhas de marcação e bloqueou o meio de campo. O XV teve enorme dificuldade.

Gilsinho é o único jogador do elenco cuja característica é cadenciar e construir o jogo. Gilsinho, porém, não aguenta 90 minutos. E, quando entra, não é convincente. A solução no futebol atual, físico e travado, é a bola parada. Cléber Gaúcho sabe isso. E trabalha muito. Zé Mateus deve parte do gol ao treinador. Não apenas pela cobrança de falta precisa, como cobrava Cléber Gaúcho na época de jogador, mas pela injeção de ânimo que o técnico deu no intervalo. No primeiro tempo, Zé Mateus errou os quatro cruzamentos que tentou.

A vitória por 1×0 não é excelente, mas é bom resultado. No Augusto Schmidt, o empate classifica o XV para a final. A eliminação direta acontece apenas se o Rio Claro fizer o que ninguém fez: vencer a equipe de Cléber Gaúcho por dois gols de diferença. Sérgio Guedes provavelmente jogará com três atacantes, o que aumentará o espaço no meio de campo. O jogo lá será menos truncado que aqui. E mais complicado. O XV terá de ser cirúrgico em Rio Claro. Vai sofrer. E quando é que alguma coisa foi conquistada sem sofrimento pelos lados do Barão da Serra Negra?

Palpite? Prepare o coração. Quem sabe, para três jogos.

Leonardo Moniz é jornalista e editor de conteúdo do portal LÍDER

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