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Opinião

O que mudou?

*Capa: Elcio Fabretti

XV de Piracicaba e Juventus é um confronto que bem poderia valer o acesso na Série A2 do Campeonato Paulista. Não valerá, e boa parte da culpa se deve à dinâmica negativa que o Alvinegro entrou nos últimos 20 dias, algo que parecia impensável um mês atrás. Depois de vencer quatro jogos seguidos, apenas um deles com brilho, contra o Taubaté, mas sempre mostrando consistência, o XV acumula agora quatro partidas sem ganhar. A primeira da série negativa, curiosamente, foi contra o Moleque Travesso.

De lá para cá, Tarcísio Pugliese começou a rodar o elenco, que possui carências claras e óbvias, como tem e sempre terá qualquer plantel que disputa a segunda divisão do futebol paulista. A fase negativa, pelo que entendi na coletiva pós-jogo concedida ontem (30) pelo treinador, após a derrota para o fraco Atibaia no Barão da Serra Negra, está relacionada com as constantes mudanças na equipe titular, algumas por critérios técnicos, mas principalmente devido ao aspecto físico. É verdade, mas dá para questionar.

Contra o Taubaté, quando o XV mais jogou bola em 2019, o treinador escalou Luiz Fernando; Jéfferson Feijão, Douglas Marques, Gilberto Alemão e Robertinho; Fraga, Walfrido e Misael; Kadu, Ítalo e Ronaldo. Na derrota para o Juventus, quando fez um primeiro tempo de razoável para bom, mas foi apático na segunda etapa, o Alvinegro entrou em campo com Fábio no gol e Michel na lateral esquerda, com Robertinho ocupando o lado direito, na vaga de Jéfferson Feijão. O resto? Igualzinho.

Depois, o XV foi desconfigurado para Votuporanga, viajou sem laterais de ofício para Rio Claro e atuou desfalcado contra o Atibaia. No geral, pouca coisa mudou. As virtudes e defeitos continuam iguais, e são os resultados que ditam o rumo da análise. Elogiada nas vitórias, a convicção de Pugliese, de propor e acelerar o jogo, agora é criticada e recebeu o status de teimosia, como o colunista escreveu aqui, no dia 23 de fevereiro. O que não muda, aliás, é a teimosa insistência com Andrei, que não conseguiu justificar as inúmeras oportunidades dadas pelo treinador.

Insisto em afirmar que o XV de Piracicaba não é brilhante, mas é consistente e vai brigar pelo acesso. Mas, o que mais preocupa, neste momento, não é o brilho ou a consistência: é a perigosa falta de confiança. Peça por peça, o Alvinegro é melhor que o Juventus, e ainda tem privilégios dos quais o rival paulistano não goza, como conforto, estrutura e salários religiosamente em dia. As organizadas, inclusive, têm dado trégua nas cobranças. Apesar do cenário, não se engane: qualquer coisa que não seja o acesso significaria uma decepção.

Meu palpite? O XV de Piracicaba eliminará o Juventus. Sem muita convicção.

Leonardo Moniz é editor de conteúdo do LÍDER

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