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Opinião

O que devemos saber sobre os R$ 700 mil?

*Capa: Mauricio Bento/Líder Esportes

Para falar sobre o assunto, é preciso relembrar, ainda que de forma resumida, algumas situações. No dia da eleição para o Conselho Deliberativo (10 de novembro), o ex-presidente do XV, Adílson Maluf, reuniu as duas chapas (situação e oposição) que concorreriam aos cargos de presidente e vice da diretoria executiva, explicando que um grupo de multinacionais estaria disposto a injetar R$ 700 mil em patrocínios no Alvinegro, mas não fariam isso se um político estivesse à frente do clube. O restante, já sabemos. Após as eleições (presidente e vice, 13 de novembro), em nenhum momento os eleitos ‘cravaram’ a vinda do dinheiro, mas sempre deixaram claro que trabalhariam atrás dos valores.

Minha opinião é que o dinheiro vem e, pela forma que tem sido conduzida a situação, acredito que o valor ainda será superior. Vamos então aos porquês. Quais motivos impedem os mandatários de virem a público para confirmarem os valores? Há contratos que são firmados com cláusula de confidencialidade, cujos números só serão passados para o Conselho Deliberativo e Conselho Fiscal. Ainda é preciso assinar os contratos, definir quanto será o repasse de cada empresa que virá junto com a Raízen, renovar com a Unimed, fora outras negociações em andamento (FMC e Caterpillar).

O clube está em processo de montagem de elenco e, nesse momento, expor os valores via diretoria, colabora para que um jogador que vale 10, peça 20 para o XV. Nos últimos anos, financeiramente falando, as preocupações eram a falta de dinheiro, cortes e mais cortes de gastos, empréstimos para manter os compromissos em dia. Hoje, a situação financeira do XV, após vários anos, muda de patamar. A ‘preocupação’ é a melhor forma de gastar o dinheiro.

O futebol profissional é o principal produto do clube e precisa de um carinho muito especial. Porém, não podemos esquecer que, como qualquer empresa, o Alvinegro tem muitos outros compromissos que geram custos, administrativo, pagamentos dos acordos com Profut e dívidas trabalhistas, categorias de base, além de um déficit de R$ 2,6 milhões que precisa ser zerado. De janeiro a setembro de 2018, o XV de Piracicaba teve uma receita total para gerir o clube, no valor de R$ 3.186.000,00 enquanto as despesas foram de R$ 3.877.000,00.

Com a nova diretoria, somente o orçamento para pagamentos de atletas do futebol profissional é de R$ 280 mil por mês, totalizando R$ 3.360.000,00 no ano. Fora isso, no futebol profissional ainda há gastos com os encargos, a comissão técnica e moradia, algo próximo dos R$ 100 mil mensais (R$ 1,2 milhão por ano), mais viagens e alimentações, concentrações, premiações, entre outros. Pelo planejamento e a realidade que os números nos mostram, é possível dizer que só o departamento de futebol profissional deve atingir um gasto de R$ 5 milhões por ano (quase R$ 417 mil por mês). Dos R$ 700 mil ‘prometidos’ sobrariam R$ 283 mil por mês para tocar todas as outras áreas do clube.

Claro que, se algo der errado (entrada dos valores), o que não acredito, será preciso reajustar as finanças. É importante ressaltar que, fora os R$ 700 mil de patrocínio, a diretoria, além de buscar mais receitas para o clube, terá outras fontes de arrecadações, com o Semae, projetos de Lei de Incentivo, marketing, loja XV Mania, bilheteria, cota da Federação Paulista de Futebol, etc. Isso não quer dizer que o clube vai inchar a folha de pagamento no futebol profissional. O objetivo é trabalhar com folga, no azul, sem precisar ficar passando o chapéu.

Com dinheiro ‘sobrando’ em caixa, é possível investir em estrutura, categorias de base, contratar mais funcionários, em especial para o departamento de futebol profissional e de base, talvez até criar as modalidades sub-11 e sub-13. O planejamento financeiro é muito bom, mas não é garantia de sucesso. Para o torcedor, que é movido pela paixão, nada disso terá valor se em campo o XV não corresponder as expectativas.

O primeiro objetivo é o acesso para a Série A1 do Campeonato Paulista. Feito isso, buscar o título, que dá direito a uma vaga na Copa do Brasil, em 2020. No segundo semestre, com uma folha salarial de R$ 280 mil por mês, o mínimo que o torcedor espera é ver o time na final da Copa Paulista.

Marcelo Sá é jornalista no Líder Esportes e na Rádio Jovem Pan News Piracicaba

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