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O meu querido Ibira!

O ginásio do Ibirapuera, ou simplesmente Ibira, como é carinhosamente chamado pelos paulistanos, está com os dias contados. Uma pena. É incrível como o Poder Público, muitas vezes, parece que faz questão de desagradar o cidadão, aquele que paga o seu salário. É um duro golpe! E não perderemos somente o ginásio, mas todo o complexo esportivo do Ibirapuera vai literalmente abaixo em 2021 para ser construído, entre outras coisas, um shopping. É claro, a capital paulista necessita muito de shopping…

As mentes brilhantes que deveriam pensar no bem-estar da população são as mesmas que destroem sonhos e acabam com um monumento do esporte brasileiro e um dos símbolos de São Paulo. Além do histórico ginásio, inaugurado em janeiro de 1957, no local há também o lendário estádio de atletismo Ícaro de Casto Mello, o Parque Aquático e o miniginásio Mauro Pinheiro.

Confesso que estou inconformado. Mesmo o projeto dizendo que, em contrapartida, será construída uma arena multiuso para 20 mil lugares, essa proposta não me convence – e muito menos a comunidade do esporte. Em vez de levar abaixo todo o complexo esportivo, o governo poderia pensar em reformar o estádio, o parque aquático e o ginásio. Nunca demoli-los. Fica claro que a meta nunca foi pensar no esporte e sim na especulação imobiliária, no financeiro, já que é uma área nobríssima da capital de todos os paulistas. Pelo que vem sendo divulgado na imprensa, no lugar o parque aquático será construída uma torre comercial e um hotel. E no lugar do ginásio será erguido um shopping. O estádio de atletismo daria lugar à arena multiuso.

Parece-me que não há volta. Infelizmente. Embora muitas entidades ligadas ao esporte ainda tentem, por meio de abaixos-assinados, reverter essa situação, o certo é que não há nada mais a se fazer. O que nos resta é a lembrança do velho completo do Ibira. Dos dias em que ele nos fez sorrir e chorar de felicidade. Do atletismo, no estádio, ao vôlei, basquete e futsal no ginásio, passando ainda pelo parque aquático, onde foi revelado nomes para a natação, como o medalhista olímpico Ricardo Prado, entre outros. Uma memória jogada no lixo!

Uma história campeã passou pelo Ibira, ao começar pelo título mundial de basquete do Sírio, em 1979, quando uma lenda surgia: o mão santa Oscar. E as conquistas do Mundial de Futsal em 1982 e da Liga Mundial de 1993 pela seleção de vôlei. Foi lá que eu vi pela primeira vez a Magic Paula em cena, ainda nos anos de 1990. Na pista de atletismo passaram nomes como os brasileiro Joaquim Cruz, Maureen Maggi, Robson Caetano e os astros internacionais Serguei Bubka, Edwin Moses e Ben Johnson antes do doping.

Mas o nosso Ibira é democrático e, além de astros do esporte, recebia também atletas anônimos em jogos estudantis, jogos do idoso, jogos comunitários. Abrigava, ainda, o alojamento do projeto Atletas do Futuro. São sonhos que serão demolidos junto com o Complexo do Ibirapuera. Agora só nos resta a lamentar. É muito triste o que fizeram com o meu querido Ibira. Parabéns aos envolvidos nessa aberração.

Erivan Monteiro é jornalista e cronista esportivo

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