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Opinião

O futebol também é delas

“Papai, por que elas não podem ver jogo de futebol?”, disse, perplexa, minha filha Julia, que acabara de completar 10 anos.

“Eu já fui no (sic) estádio com você…”, completou, ainda sem entender a notícia que ouvira minutos antes na TV.

De fato. É de causar perplexidade, Julinha. Mas era verdade. No caso, uma triste realidade. Em pleno século 21, as mulheres iranianas não podem assistir a um jogo de futebol no estádio. Por isso, o meu espanto (e alegria) quando vi várias mulheres iranianas torcendo por sua seleção contra a Espanha, nesta quarta-feira (20), na Rússia. No país delas, o islamismo não permite. Epa, não permitia…

Depois do jogo em que a Espanha venceu a ‘duras penas’ os asiáticos pelo placar mínimo e com um gol de brasileiro (Diego Costa), li a notícia de que as mulheres foram liberadas para ir ao Estádio Azadi, na capital Teerã, para ver a partida da Copa em um telão. Um baita avanço! Um feito histórico, diria.

Já está na hora das mulheres de todo o mundo também terem o prazer do futebol. No Irã, os próprios jogadores da seleção encabeçam uma campanha para que elas sejam ‘aceitas’ nos estádios de futebol. Até o ar fica mais bonito. O clima menos pesado. Afinal, tem coisa mais bonita do que elas? Não, meu amigo, não tem mesmo. Vai por mim!

As iranianas não podem ir aos estádios para partidas de futebol entre equipes masculinas desde a Revolução Islâmica de 1979. Segundo as leis do país, a proibição é oficialmente uma forma de proteção aos comportamentos vulgares e ofensivos por parte de outros espectadores. Algumas mulheres já desafiaram o governo comparecendo aos jogos com disfarces, como perucas ou barbas postiças. Em partidas de futebol feminino, apenas as mulheres são autorizadas a comparecer aos estádios.

Na Arábia Saudita, que também é um país islâmico, já é permitida a entrada das mulheres aos estádios de futebol. É um exemplo a ser seguido. Agora, precisa melhorar o time, que só perde na Rússia… Falando sério, tomara que os iranianos, que tem uma seleção muito regular, possam evoluir como os sauditas. As mulheres são sempre bem-vindas. No futebol e em todos os lugares. Sempre!

Erivan Monteiro é jornalista e cronista esportivo

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