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Corpo & Mente

O desafio de seguir o planejamento

Corpo & Mente - O desafio de seguir o planejamento - Cassiano de Santis

Ao mesmo tempo que cresce o desejo das pessoas por uma vida saudável e uma boa forma física, fica evidente que há mais dificuldades e obstáculos do que parece a princípio. As academias, cada vez mais procuradas, sofrem para conseguir a retenção dos clientes, e nutricionistas se frustram ao constatar que suas recomendações não são seguidas. A impressão é que esse estilo de vida não é para todos.

Há, porém, mais coisas entre o céu e a terra do que pensa nossa vã fisiologia. As diferenças nas estratégias cognitivas permitem entender por que algumas pessoas atingem seus objetivos e outras desistem; assim, é possível ajudar na passagem do segundo grupo para o primeiro. Antes, vale observar que aquelas que não alcançam seus resultados seguem dois padrões distintos: o primeiro, mais evidente, é a desistência precoce dos treinos ou da reeducação alimentar, antes que o corpo adapte-se às mudanças; o segundo, mais frustrante, é a adesão prolongada, mas insuficiente para provocar diferenças visíveis. Neste último estão as pessoas que se exercitam de forma irregular, por exemplo.

Saber o que comer e quando se exercitar não é suficiente

Nos dois casos, o ponto-chave para quebrar o ciclo de aproximação e desistência é compreender que planos de exercícios e prescrições alimentares não são suficientes para modificar comportamentos ao longo da vida. As estratégias cognitivas e comportamentais utilizadas para criar novos hábitos serão determinantes para o resultado do planejamento.

Essas estratégias, como os hábitos e a personalidade, são construídas ao longo da vida em nossa interação com o mundo, num processo do qual temos pouca consciência: a mente encarrega-se de criar atalhos e padrões que seguiremos sem perceber. Assim, algumas pessoas desenvolvem recursos que permitem aderir a hábitos saudáveis com pouco esforço, e seu sucesso acaba ofuscando as dificuldades da parcela – bem maior – que tem mais dificuldades em se adaptar ao novo estilo de vida.

Saber o que comer e quando se exercitar, em geral, não é suficiente para a transformação desejada. Felizmente, temos a oportunidade de analisar os comandos de nosso ‘piloto automático’ para criar, agora de forma consciente, novas estratégias que permitam modificar os padrões que internalizamos. Esse processo não possibilita apenas alcançar melhores resultados físicos, mas fazê-lo com menos esforço mental e estresse. Aos poucos, difunde-se a ideia de que as particularidades fisiológicas fazem com que os efeitos de treinos e dietas sejam distintos em cada pessoa. Junto disso, podemos aprender que as particularidades emocionais e cognitivas exigem também diferentes formas de se engajar nos hábitos desejados.

Cassiano de Santis é psicólogo com formação em Terapia por Contingências de Reforçamento

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