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Aikidô

‘O aikidô é meu ponto de foco e equilíbrio’

Empresária sofreu tentativa de abuso e aprendeu a arte para se defender

Camila Pirillo, praticante de aikidô na Escola Aiki Kaizen Piracicaba
Camila começou a praticar aikidô há 11 anos: paixão pela arte marcial (Foto: Leonardo Moniz/Líder Esportes)

Camila tinha 16 anos quando caminhava pelas ruas de São Paulo. No fim de uma tarde que não seria lembrada como outra qualquer, a garota sofreu uma tentativa de abuso sexual. No desespero, reagiu e saiu correndo, conseguindo escapar. O agressor foi preso e liberado no mesmo dia. A mãe de Camila, naturalmente, ficou preocupada com a situação e quase a obrigou a procurar alguma forma de defesa pessoal. Decidiu, então, levá-la a contragosto para uma escola de artes marciais. “Você faz uma aula e, se não quiser voltar, não tem problema”.

A princípio, Camila participaria de uma aula de judô, mas, quando chegou à escola, viu na programação que antes haveria um treino de aikidô. Após a primeira atividade, foi perguntada sobre se estava pronta para o judô. Respondeu convicta: “Não vou fazer. Eu decidi que vou continuar no aikidô”. O que encantou a garota foi a receptividade. Camilla ficou impressionada pois, na primeira aula, ninguém a olhou com desdém pelo fato de ser iniciante. “No aikidô, os mais experientes também vivem um processo de aprendizado constante”, contou.

Desde o primeiro passo dado no tatame, a paulistana Camila Pirillo, 29, passou por uma série de mudanças pessoais e profissionais. Empresária no setor alimentício, ela trouxe na bagagem para Piracicaba a paixão pelo aikidô. A mudança se deu quando passou no vestibular da Esalq-USP (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), há pouco mais de uma década. O sensei Carlos Eduardo Dutra, com quem treinava na capital, a apresentou a Roney Rodrigues Filho, sensei fundador da Escola Aiki Kaizen.

VAI E VOLTA

De lá para cá, foram várias etapas vencidas para seguir praticando a arte: uma bolsa de estudos na França, o horário de trabalho apertado, uma cirurgia no colo do útero e a gravidez do filho Guilherme. Atualmente, ela está há quase dois anos sem interromper os treinos. O aikidô, inclusive, foi útil para resolver problemas fora do dojo. “Uma vez, tive de separar briga, mas ninguém se machucou (risos). O meu objetivo não é mais a defesa pessoal. A marcialidade do aikidô é um presente, mas não é prioridade. Você descobre a filosofia, aprende a usar a força de uma pessoa contra ela mesma. Para uma mulher com a minha altura, isso é muito importante (risos)”.

FAIXA PRETA

A baixa estatura (1,57 m) nem sempre jogou ‘contra’ Camila. Em uma das visitas ao Brasil de Yoshimitsu Yamada Sensei, ex-aluno de Morihei Ueshiba, fundador do aikidô, ela se deu bem. “Todo mundo queria tirar foto com ele e o pessoal da organização falou que as fotos teriam de ser em grupo, mas as crianças poderiam tirar fotos individuais. E aí eu pensei: com minha altura, ninguém vai saber se sou criança ou não (risos). E deu certo”, brincou Camila, que enxerga a arte como ponto de equilíbrio em sua vida e coloca como objetivo a faixa preta. “Teve uma época em que eu disse para mim mesma: vou ser faixa preta aos 30 anos. Agora estou perto dos 30 e a faixa preta está longe (risos). A meta agora é aos 35”, completou.

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