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Basquete

‘Nunca vamos esquecer o que aprendemos: lutar pelos nossos sonhos’

Trabalho encerrado no núcleo do Grajaú deixa legado para educandos e comunidade

Neusinha destacou o legado deixado pelo Instituto Passe de Mágica no Grajaú (Foto: IPM/Divulgação)

“Aqui passaram muitas crianças que tiveram contato com novas possibilidades para suas vidas. Hoje, vejo jovens mais seguros do que querem, estudando e entrando no mercado de trabalho, mas também valorizando a família e se empoderando desse espaço”. A educadora Neusa Maria Ribeiro, ex-jogadora da seleção brasileira de basquete, se refere ao Centro de Promoção Social Bororé, na Zona Sul de São Paulo. Foi lá que, numa quadra coberta, o Instituto Passe de Mágica instalou o núcleo do Grajaú.

O projeto foi encerrado em novembro, após nove anos de trabalho no local – na Lapa e em Piracicaba (SP), as atividades seguem normalmente. Neusinha participou dos últimos cinco, tempo que ela considera mais do que suficiente para estabelecer um vínculo. “A reta final mexeu muito com o coração da gente, pois é impossível não se envolver com as crianças, e isso significa se envolver também com a comunidade. O trabalho não foi simplesmente de quadra, lidamos com situações que vão além. O planejamento nosso sempre foi feito em função de acolher as crianças, valorizar o que elas fazem bem. Nós acreditamos em cada uma delas, todos os dias”, relatou.

O esporte como ferramenta para o desenvolvimento humano: marca do projeto (Foto: IPM/Divulgação)

Neusinha recorda com orgulho a transformação que o IPM promoveu entre os adolescentes. O maior legado, segundo ela, é percepção de que os educandos acreditam no próprio futuro. “Nós primamos muito pela convivência: não se resolvem os conflitos no grito ou no tapa. O respeito ao próximo melhora a convivência. Foi um trabalho detalhista, de acolhida e pensamento coletivo. As aulas giravam em torno dessa dinâmica: fazer para mim, mas pensar no outro. O legado foi despertar a consciência de eles poderem viver, sonhar e lutar para serem felizes”, destacou a educadora.

A bola laranja também despertou sonhos no Grajaú. O menino Lucas, 12, é ambicioso: quer jogar profissionalmente e um dia chegar à NBA, a liga norte-americana de basquete. Lucas conheceu o IPM no início de 2018 e garante: aprendeu muito mais do que fazer passes e arremessos. “O que o Passe de Mágica fez foi ‘muito incrível’, ajudou muito as pessoas. Não é só basquete. Aqui a gente aprendeu a tratar o próximo com honestidade e com respeito”, disse o garoto, fã dos Los Angeles Lakers e de Kobe Bryant.

TALENTO

O talento de Lucas já chamou a atenção de equipes como o Clube Esperia, que o convidou para participar de uma seletiva. Para chegar aonde quer, ele diz que levará no coração o que aprendeu no Bororé. “Aqui infelizmente tem drogas, crime organizado, é muito comum ver isso e acaba influenciando as crianças. O Passe de Mágica trouxe uma outra realidade, nos fez olhar a vida por outro ângulo. Nossos princípios vêm antes dos bens materiais. Nunca vamos esquecer o que eles nos ensinaram: lutar pelos nossos sonhos”, disse o menino, que também carregará na memória outra experiência no Grajaú, essa menos gostosa. “Já tomei cada tombo aqui jogando basquete, viu (risos)”, completou.

O Instituto Passe de Mágica é uma associação sem fins lucrativos criada em 2004 pela medalhista olímpica e campeã mundial, Magic Paula, com o objetivo de promover o esporte para o desenvolvimento humano. Os núcleos do IPM são mantidos com recursos via Lei de Incentivo ao Esporte, na esfera federal, o que possibilita o patrocínio da Caterpillar, Drogasil, Grupo Aliança, IBM, Klabin, Portocred, Sabesp e Via Varejo. O IPM recebe apoio institucional da Nike e Laureus Foundation.

Atividades envolvendo basquete contribuíram para transformação na comunidade (Foto: IPM/Divulgação)

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