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Opinião

Noite dos horrores!

*Capa: São Paulo FC

Não, caro leitor… O título não é de filme de terror e também não se trata de convite para sessão noturna de algum parque de diversões. É a ruindade dos times paulistas que, de uma só vez, foram eliminados em três partidas de mata-mata na noite desta quarta-feira (4). Às 21h, o Santos dava adeus à Copa do Brasil ao perder para o Ceará por 1×0, em Fortaleza. Meia hora depois, foi a vez do São Paulo ‘conseguir’ ser eliminado pelo Lanús-ARG, no Morumbi. E, para completar o vexame paulista, às 23h30, o América-MG despachou o Corinthians com um empate por 1×1 em Belo Horizonte.

Foram três reveses difíceis de digerir pelo torcedor paulista. No entanto, sem dúvida nenhuma, quem mais sofreu foi o são-paulino. Lembrei-me do meu primo Juninho, do meu sobrinho João Vitor, do meu amigo Pablo e do meu ex-cunhado Reginaldo, entre outros. Como sofreram! Eles certamente viveram uma ‘gangorra’ de emoções nesse jogo. E ainda caíram do brinquedo no final. Não queria estar na pele deles!

Vamos aos fatos: depois de tomar 1×0 e empatar; 2×1 e empatar de novo, o São Paulo marcou mais duas vezes depois dos 40 minutos do segundo tempo e, assim, com 4×2, estava se garantindo na fase seguinte da Sul-Americana. Só que, como em cena de filme de terror, os argentinos acharam o terceiro gol praticamente no último lance (para não dar chance de sobrevida!) e ajudaram a aumentar o jejum de títulos do Time da Fé.

O resultado de 4×3 para o São Paulo não era o suficiente. Afinal, no jogo de ida, a equipe brasileira perdeu para o Lanús por 3×2, na Argentina. Assim, os hermanos passaram de fase por ter marcado um gol a mais fora de casa, o tão cantado em verso e prosa ‘gol qualificado’, que vale como critério de desempate da Copa Sul-Americana. Parece surreal, mas é a pura verdade! A responsabilidade de mais essa queda em mata-mata, claro, vai cair na conta do técnico Fernando Diniz. Afinal, de estrategista, ele foi rebaixado a vilão em apenas três minutos.

Explico: Gabriel Sara marca, aos 44min do segundo, o quarto gol, o da então classificação do São Paulo. Sara ainda comemorava o tento, quando Diniz – que na virada do primeiro para o segundo tempo, ainda atrás no placar, deixara a equipe somente com um zagueiro – tira os seus dois atacantes, Brenner e Luciano, para as entradas dos defensores Arboleda e Leo. Eles entram frios aos 46min. Um minuto depois, Orsini marca, da pequena área, no meio dos dois beques recém-chegados ao jogo, o terceiro gol Lanús, o da classificação portenha.

Logicamente, a torcida, a imprensa e principalmente os conselheiros do São Paulo vão questionar essa decisão do treinador. Resta saber se a diretoria desta vez vai ceder às pressões ou irá bancar mais uma vez o trabalho de Diniz, que, aliás, é excelente no Campeonato Brasileiro. Quanto às outras eliminações, de Santos e Corinthians na Copa do Brasil, elas estavam mais ou menos dentro do ‘script’. Eram enredos com finais previsíveis. O Peixe empatou em casa na partida de ida e deu brecha para o Ceará garantir a vaga em casa, o que acabou acontecendo com a vitória mínima. Já o Timão, que perdeu em Itaquera o jogo de ida, não teve forças para fazer dois gols de diferença em BH e ficou no 1×1. Essa trinca de eliminações, num intervalo de apenas duas horas e meia, era um filme que poucas vezes (ou nunca) se viu na história do futebol paulista, tido e havido como sucesso de público e crítica, ou seja, o melhor do país.

Erivan Monteiro é jornalista e cronista esportivo

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