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Opinião

No Canindé, Evaristo Piza foi fundamental

*Arquivo/Líder Esportes

Não faço parte do grupo que pensa que técnico bom é o que não atrapalha. Penso o contrário: treinador bom pode ganhar um jogo. Mas, foi exatamente com o discurso de não atrapalhar que Evaristo Piza chegou ao XV de Piracicaba. “Vou dar seguimento ao que vinha sendo feito. É um grupo muito experiente, com uma grande qualidade, não posso chegar aqui querendo mudar o que o Tarcísio (Pugliese) fez nesse período. Foi a minha fala com a diretoria, o que eu tenho que fazer aqui é não atrapalhar, passar tranquilidade para os jogadores, ter uma boa leitura de jogo e dar sequência ao que vinha sendo feito. Claro que uma ou outra coisa nós vamos inserir”, disse à CBN Campinas, no dia 17 de julho.

De lá para cá, o treinador conseguiu classificar o XV ao mata-mata da Série A2, mas sem convencer: a equipe oscilou muito contra o Votuporanguense, foi pouco competitiva na derrota para o São Bernardo e fez péssimo primeiro tempo no jogo com o Penapolense. A partir da segunda etapa do duelo com o time de Penápolis, o XV evoluiu, e essa evolução tem dose generosa do trabalho do técnico. Piza veio para não atrapalhar, mas isso não foi suficiente. Teve de agir e agiu bem – por enquanto, para não queimar a língua.

Contra a Portuguesa, o XV foi superior em 75% do confronto, exceção feita aos 20 minutos iniciais no Barão da Serra Negra. No Canindé, o técnico do Alvinegro deu um baile estratégico em Fernando Marchiori: foi ousado na proposta inicial, pressionou a saída de bola, teve iniciativa e criou oportunidades para ganhar o jogo. A Lusa foi superada do começo ao fim pelo Nhô Quim. Ao lado da vitória sobre o Londrina-PR, na estreia pela Copa do Brasil, a partida da última segunda-feira (14) foi a mais consistente do time piracicabano em 2020. O mérito é enorme.

A contratação de Piza, verdade seja dita, foi a solução mais sensata para o lugar de Pugliese, e aqui repito o que escrevi no dia 31 de julho – clique para acessar. O atual treinador conhece a Série A2, sabe como funciona o XV e tem perfil mais ‘conciliador’. A contratação do técnico, inclusive, foi tomada de forma coletiva. Evaristo Piza foi indicado por Beto Souza, ex-gestor, e Ricardo Moura, diretor de futebol, personagens com os quais havia trabalhado em 2017 e 2018. O presidente Arnaldo Bortoletto concordou. Está funcionando, felizmente, apesar da quebra de projeto.

O resultadismo é uma cultura perigosa, talvez por limitar a compreensão do processo. Em 2020, o XV montou um elenco com boas peças que não se encaixaram antes da paralisação. Começou o Paulista perdendo e jogando mal, e depois engatou uma série invicta sem jogar bem. Veio a pandemia, foi embora Pugliese, instalou-se a possibilidade de debandada de jogadores. Não aconteceu. A diretoria contornou. Piza chegou, classificou na marra e, no momento mais importante do campeonato, o Alvinegro cresceu de produção, parece um time sólido.

Em 2018, o XV era o franco atirador e perdeu para o Guarani.

Em 2019, o XV era o favorito, mas falhou contra a Inter de Limeira.

Em 2020, contra qualquer adversário, o XV chegará com moral, mais cascudo. “Só” não pode perder.

Leonardo Moniz é editor de conteúdo do LÍDER

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