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Não custa nada sonhar

*Capa: Santos FC/Facebook

Eu tive um colega de trabalho que era torcedor da seleção argentina e do Boca Juniors. Em época de Libertadores, nós tentávamos tirar uma ‘casquinha’ dele, mas quase sempre perdíamos. Era um Xeneize nato, ou seja, adepto do time Azul y Oro. Só faltava falar espanhol com aquele sotaque caipira. Não tinha jeito de pegá-lo! Como o Boca Juniors é o grande protagonista da Libertadores nos últimos anos, ele invariavelmente se saía bem em relação a nós, torcedores de outros times.

Mas não somente o Boca Juniors nos causa medo e angústia. O River Plate também é um adversário indigesto. Não tem como falar diferente: os argentinos sabem jogar a Copa Libertadores. Desde a hegemonia do Independiente nos anos 1970, os hermanos ainda mandam com sobras no nosso continente. Os argentinos têm 25 conquistas ao longo da história, contra apenas 19 das equipes brasileiras, que vêm em segundo lugar. E, neste ano, a rivalidade ganha notoriedade novamente. Os brasileiros Palmeiras e Santos, já garantidos nas semifinais, devem disputar uma vaga na grande decisão do Maracanã diante de River e Boca, respectivamente. Como sonhar não paga imposto, esperamos Santos e Palmeiras na decisão de 30 de janeiro. Na visão mais pessimista, porém, temos o dever de lembrar que pode dar Boca x River também.

O Alviverde embalou na temporada graças à competência e carisma do técnico português Abel Ferreira. O ‘Abelismo’, para parafrasear um termo da moda, fez uma revolução em um grupo desacreditado. Scarpa, Veiga, Zé Rafael, Rony e até Lucas Lima começaram a jogar bola nas mãos do portuga. Incluo o carisma porque Abel Ferreira sabe como poucos cativar um elenco de jogadores. Sempre elogia sua equipe publicamente e não expõe as dificuldades do dia a dia. Blinda o elenco.

Já o Santos é um time é para ser estudado. Começou o ano com muitas dívidas: punição da Fifa, e por isso, ficou sem poder fazer contratações, o presidente foi afastado do cargo e os cofres estão vazios. Em meio a tudo isso, o Peixe foi contrário àqueles que diziam (e com razão, diante dos fatos) que o clube não iria a lugar algum em 2020. O técnico Cuca chegou e deu o toque de qualidade que a equipe precisava. Colocou os Meninos da Vila para jogar e, com os experientes Soteldo e Marinho, o time encaixou. Agora, ninguém mais duvida do que o Alvinegro é capaz. Ainda mais depois de eliminar o então favorito Grêmio com um sonoro 4×1. Já o Palmeiras sempre figurou entre as forças que poderiam ganhar a Glória Eterna. E com a campanha perfeita até agora, sem derrotas, a sua cotação segue em alta.

Enfim… Essas são as nossas armas para tentar barrar a força de Boca e River, que devem passar por Racing e Nacional para se juntar aos brasileiros na semifinal da competição sul-americana. Se esse cenário de confirmar, o ‘chão vai tremer’, como diria o genial locutor Osmar Santos. Em que pese a força dos adversários, eu espero os brasileiros na grande decisão do Maracanã. Afinal, não custa nada sonhar.

Erivan Monteiro é jornalista e cronista esportivo

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