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Opinião

Nacional ou tipo exportação?

O sucesso de Jorge Jesus, de Jorge Sampaoli e, principalmente, de Abel Ferreira, abre uma discussão em nosso futebol: atualmente, vale a pena ainda investir altas cifras em técnicos brasileiros, muitas vezes os mesmos de sempre, ou o melhor a se fazer no momento é buscar alguma novidade no mercado internacional?

A polêmica surge muito em cima de uma declaração de diretores do São Paulo nesta semana. Com Rogério Ceni na marca de pênalti, pronto para ser demitido, os cartolas tricolores começaram a pensar em um novo nome para a chefia da comissão técnica. Pensaram, pensaram e chegaram ao nome de Mano Meneses.

Muitos torceram o nariz. Afinal, Mano Meneses há tempos não faz um bom trabalho, muito menos levanta uma taça. Antes sonho de consumo do São Paulo, hoje o veterano treinador não arranca suspiros dos cardeais tricolores. Pelo contrário, acham que seu auge já passou. Mas, se o nome não é esse, em quem pensar?

Pensaram novamente, pensaram mais uma vez e não chegaram a nenhum nome de consenso. “Vamos procurar então no mercado internacional”, falaram em reuniões internas. Um diretor chegou a declarar: “O treinador brasileiro definitivamente não satisfaz às nossas expectativas”. Triste, mas a moral que os técnicos nativos têm no mercado nacional não é nada boa.

Em nível de Europa, no entanto, é praticamente impossível trazer um medalhão para trabalhar aqui, mesmo sendo em um time de ponta. O Euro contra o Real é covardia. Seis vezes mais. Apesar disso, o português Carlos Carvalhal ficou todo assanhado para uma possível proposta do Flamengo. Mas é uma exceção. Assim, como Abel Ferreira. E Carvalhal não é tudo isso. É técnico de time pequeno, como o Braga, onde manda e desmanda.

No mercado sul-americano, aí sim, o Brasil é protagonista. Há bons técnicos na Argentina, no Paraguai, no Uruguai e até na Colômbia. Poderia ser uma saída para se achar um bom profissional, como foi o caso de Juan Pablo Vojvoda, uma tacada certeira do Fortaleza e que agora é cobiçado por muitos clubes do Brasil.

Mas o mercado estrangeiro também não é garantia de sucesso. Aguirre vai mal no Internacional, Jesualdo Ferreira foi um fiasco no Santos, António Oliveira fracassou no Athletico e Ricardo Sá Pinto afundou sua nau no Vasco da Gama – por mais que esses dois nomes, nau e Vasco, sejam bem íntimos…

Ou seja, não é uma ciência exata essa questão: técnico nacional ou tipo exportação. O que vale é técnico bom, dizem. Abel Ferreira, multicampeão em um ano de Palmeiras, vai continuar no clube paulista por competência e, também, por R$ 400 mil a mais em sua conta. É o preço que se cobra. Títulos é igual a prestígio, fama e remuneração alta. Quem ganha se estabelece, independente do que está escrito em sua certidão de nascimento.

Erivan Monteiro é jornalista e cronista esportivo

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