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Na busca pelo tri, Bárbara nocauteia obstáculos

Natural de Salvador, atleta treinou em Piracicaba para o Campeonato Brasileiro

Bárbara é bicampeã brasileira de boxe e vai em busca do tri na cidade de Cuiabá (Foto: Líder Esportes)

O jeito tranquilo de falar, o olhar calmo e o sorriso leve estampado no rosto de Bárbara dos Santos, 28, escondem o caminho recheado de dificuldades e conquistas que ela trilhou. As características podem não revelar, mas o corpo trabalhado não dá margem para dúvidas: essa baiana respira esporte. Boxe, para ser mais preciso. Valente como são os soteropolitanos, Bárbara costuma dar as cartas no ringue. O currículo é invejável. Hexacampeã dos Jogos Abertos do Interior, quatro vezes campeã baiana e da Copa Carlos Furacão, e bicampeã brasileira.

O tri nacional é o próximo objetivo da atleta, que veio a Piracicaba passar um mês e uma semana para fazer a parte final da preparação no Centro Esportivo MR, junto com o técnico Marcos Ribeiro e o auxiliar Gustavo Zandoval. O Campeonato Brasileiro será em Cuiabá (MT), de 29 de junho a 7 de julho. Bárbara vai disputar a categoria 69 kg. Ela já participou quatro vezes a competição e tem dois bronzes e dois ouros, que vieram nas duas últimas edições. “Eu praticava outra modalidade quando tive um convite para participar de um campeonato de boxe. Fiquei interessada e não parei mais. Tinha 18 anos, comecei tarde”, contou.

“É sofrido pra caramba. Sinto dor, mas acredito em superação. Você quer tanto que chega a ser prazeroso”

No esporte, o campeão é sempre o alvo a ser batido. Bárbara sabe que será visada, mas garante que ninguém a cobra mais do que ela própria. “Encaro com naturalidade, porque é o que eu amo fazer, amo treinar, tenho muita disciplina e muito foco. O resultado é consequência. Não me apego muito ao que vão pensar ou ao que estão esperando de mim, não. Dou sempre o meu máximo, primeiramente, por mim”, afirmou a pugilista. “Eu me cobro bastante (risos). Treino é muito pesado mesmo, viu? Abro mão do lazer para treinar e chego a fazer três treinos por dia”, relatou.

A escolha por Piracicaba, segundo ela, se deve ao fato de conhecer o trabalho realizado na cidade. “Tenho muita confiança no que é feito aqui”, disse. Além disso, Bárbara encontrou na Noiva da Colina uma espécie de refúgio. “Na Bahia, estava trabalhando de cozinheira e treinando. Aí, eu saí do emprego. Mais um, né. Atleta perde muito emprego, viu? Sempre acabo dispensada por causa das lutas. Nesse último, fui eu que pedi para sair e vir para Piracicaba treinar. Assim, fico longe da rotina que tenho lá. Aqui, é treino e descanso. É pouco ainda”.

Bárbara veio a Piracicaba para treinar com os preparadores do Centro Esportivo MR (Foto: Líder Esportes)

Perguntada sobre qual o período ideal para se preparar para uma competição, a atleta de Salvador oscilou entre três ou quatro meses, mas logo apontou para outra dificuldade recorrente no esporte. “Trabalhando, não dá. A vida de atleta é difícil. Não estou falando apenas do treinamento e da parte esportiva. E as nossas coisas? Temos contas para pagar, os boletos… Como faço se eu não trabalhar? O material que a gente usa sobrevive por algum tempo, mas as contas temos todo mês. Não existe um salário por ser atleta. No entanto, o Campeonato Brasileiro dá direito ao Bolsa Atleta. É atrás disso que eu vou”, declarou.

PERSISTÊNCIA

Bárbara é convicta, e conforme a entrevista corre, mais ela mostra fora do ringue a segurança que tem para derrubar as adversárias. Apenas uma pergunta a deixou sem resposta: se é tão sofrido e difícil, porque a persistência no esporte? “Olha, não tenho explicação. Eu já parei, mas não consegui ficar longe, é mais forte do que eu. Amo o que eu faço, amo estar aqui. É sofrido pra caramba (pausa). Eu sinto dor, mas acredito em superação, entende? Você quer tanto que chega a ser prazeroso. Meu sonho é disputar uma Olimpíada e não vou desistir porque agora está mais perto do que longe”, explicou.

A vela que mantém o sonho aceso veio acompanhada de um passo importante: Bárbara tem o processo encaminhado para se tornar atleta da Marinha do Brasil, uma novidade no boxe feminino. Apesar de triunfar tanto em um esporte individual, ela sabe: não conseguiu sozinha. “Eu moro com mãinha. Ela, meu namorado e os meus treinadores são as pessoas que mais me apoiam, que mais me ouvem. Tudo que é bom para mim, eles apoiam”, finalizou a campeã.

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