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Opinião

Meu XV ou seu XV?

*Capa: Mauricio Bento/Líder Esportes

Enfim, sem nenhum sofrimento, o que é raro quando se trata do XV de Piracicaba, a classificação para a próxima fase do Campeonato Paulista da Série A2 foi sacramentada com três rodadas de antecedência. O primeiro objetivo foi atingido. Se não bastasse, contra o Juventus, o clube tinha tudo a favor para assumir a liderança da competição. Eram quatro vitórias consecutivas, invencibilidade em casa, o time jogando bem, praticamente sem desfalques. Obviamente, a empolgação era geral, tanto é que mesmo em um jogo com transmissão de televisão, o Alvinegro teve seu maior público no Barão da Serra Negra em 2019.

Porém, em dois erros bisonhos, veio a derrota. Não dá para um zagueiro experiente como o Douglas Marques tomar um corte seco do atacante Adílson, cair sentado e sem reação. Não dá para o volante Bruno Lima, improvisado na direita, querer sair jogando após rebote de uma defesa difícil do seu goleiro, com o time sofrendo pressão e, com um zagueiro caído no meio-campo, precisando de atendimento médico. Foram dois lances em cinco minutos, mas que decidiram a partida. Marques tem crédito, está fazendo um bom campeonato, mantendo uma regularidade. Lima fez apenas um bom primeiro tempo contra a Portuguesa. Elias Ceará foi melhor nas oportunidades que teve.

Entendo a frustração do torcedor e, em muitos casos, do espectador, que fica sabendo que tem um time na sua cidade que está jogando muito bem, compra o ingresso, vai ao estádio, mas após a derrota sai xingando, dizendo que essa ‘porcaria’ merece estar na Série A3. Vale lembrar que essa mesma ‘porcaria’ o levou ao estádio, justamente por brigar pela liderança da competição. Antes do jogo: “Meu XV está bem”. Depois: “Seu XV perdeu”. Se a análise for feita pelos resultados (placares), o acesso estará descartado, pois o XV (segundo colocado) perdeu para o Água Santa (1º), Portuguesa Santista (3º) e Juventus (4º). Chama a atenção? Sim, com certeza.

Porém, nas três derrotas, me apego ao fato do Alvinegro ter jogado em plenas condições de vencer as partidas. E porque não venceu? Detalhes. Teve chance de matar o jogo contra o Netuno, não fez o gol quando criou e foi punido. Contra a Briosa, fez o mais difícil. Virou um jogo que estava perdido e depois não conseguiu segurar o resultado. Já abordamos acima as falhas contra o Moleque Travesso. Para mim, das 12 equipes que o Nhô Quim enfrentou, apenas o Sertãozinho foi amplamente superior.

Cabe ao técnico Tarcísio Pugliese, nos três confrontos que restam, rodar o elenco e testar tudo o que falta ser testado. Qual é o plano B para a ausência de Misael? Nenhum convenceu. É preciso buscar novas alternativas no plantel e não insistir em alguns jogadores que não têm dado a resposta desejada. Bruninho e Lucas Formiga, que são boas opções no ataque, precisam adquirir ritmo de jogo. Não há mais o que esperar. Pelas datas prévias da Federação Paulista de Futebol, faltam 30 dias para conhecermos as duas equipes que conquistarão o acesso para a Série A1. O XV é um forte candidato na briga. Precisa melhorar mais e parar de vacilar.

Marcelo Sá é jornalista no Líder Esportes e na Rádio Jovem Pan News Piracicaba

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