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Opinião

Meu único vício

*Capa: ABI/Divulgação

“Aurélio Miguel, totalmente agressivo, leva o ouro em Seul!”

Quando o jornalista Álvaro José narrou a frase acima, na Olimpíada de Seul, em 1988, pela Band, eu não tive dúvidas: queria ser jornalista esportivo! Com 15 anos recém-completados, esse foi o meu sentimento ao ver a emoção do ‘Alvinho’, um dos maiores jornalistas esportivos desse país. Uma sumidade quando o assunto é esporte olímpico.

Desde esse dia, alimentei o meu sonho. Fui à faculdade, me graduei em comunicação social e me tornei jornalista esportivo. Hoje, após mais de duas décadas em redação, cobri (ainda que daqui do Brasil mesmo) as Copas de 1998 (França) para cá e as Olimpíadas de 1996 (Atlanta) até a última, do Rio de Janeiro, em 2016. O jornalismo foi a primeira das minhas três graduações. Também fiz pós-graduação. No começo da carreira, trabalhei cinco anos como jornalista esportivo em uma emissora de Guarulhos, a Rádio Boa Nova. Sempre sem ganhar um centavo sequer. Apesar disso, uma experiência muito boa.

Paralelo à rádio, atuava em jornais, de onde vinha o meu sustento. O jornalismo esportivo me proporcionou uma boa vida. Uma vida de um trabalhador assalariado, mas comprei dois imóveis, constitui uma família, criei minhas duas filhas. E em uma época como agora, de Copa do Mundo, os jornalistas esportivos ficam ainda mais ansiosos – digo isso como se jornalista-ansioso não fosse um pleonasmo. Confesso que não estou muito empolgado como antes, mas estou na expectativa. E torcendo pelo Brasil.

A minha grande paixão no jornalismo atualmente vem por meio dos meus alunos. Trabalho em uma escola de tempo integral e, como todas neste formato, existem as disciplinas extracurriculares. Assim, há cinco semestres trabalho com eles a eletiva de jornal. Dá pra ver o brilho nos olhos deles! Gostam bastante, principalmente quando é para aparecer na TV. Na ‘TV Apaf’, em alusão ao nome da escola (EE PEI Antonio Pinto de Almeida Ferraz), não fazemos apenas pautas esportivas.

Agora, estamos correndo contra o tempo. A Copa do Mundo vai começar! Já entrevistamos o jogador Gabriel Silva, piracicabano que atua no futebol francês, e hoje vamos receber o ex-zagueiro André Cruz, que defendeu o Brasil no Mundial da França, em 1998. O jornalismo é assim, vivo. Seja na redação de jornal, na TV, no estúdio de rádio… ou na escola. Jornalismo é o meu vício. Meu único vício!

Erivan Monteiro é jornalista e cronista esportivo

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