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Menos informações sobre perda de peso

Menos informações sobre perda de peso - Cassiano de Santis

De um lado, pessoas frustradas porque recebem dos médicos e nutricionistas as mesmas orientações de sempre, que não conseguem seguir. De outro, profissionais de saúde cansados, impotentes diante de pacientes que não seguem suas recomendações. No meio, um fosso de frustrações, preconceitos e promessas milagrosas na mídia, na família e nas redes sociais.

O controle da obesidade por orientações e informações de profissionais de saúde tem baixas taxas de sucesso há muito tempo (a Organização Mundial da Saúde aponta isso desde 2004, pelo menos. Parece que foi ontem, mas já se passaram mais de 15 anos). E a principal forma de solucionar o problema tem sido… Mais informações! Conhecemos os princípios mais importantes do cuidado com o corpo há décadas mas, como muitos ainda não os seguem, insistimos em:

a) Procurar mais princípios, que muitas vezes se revelam não tão importantes quanto os antigos (comer mais ovo, menos ovo, menos gordura, mais gordura…);

b) Tentar amedrontar o paciente descrevendo os riscos da obesidade de forma assustadora;

c) Culpar o obeso por não conseguir emagrecer.

Essas estratégias ainda são muito usadas por profissionais bem intencionados, mas cansados, e colaboram para fenômenos como o ‘terrorismo nutricional’ e o ‘pânico moral da obesidade’: as pessoas não sabem quais alimentos são saudáveis (ou seguros) para comer, ou têm medo de serem julgadas por serem obesas e não conseguirem emagrecer. Os resultados, ao contrário da motivação esperada, são a negação e o isolamento.

O fosso se alarga. Mas há uma ponte a ser construída. Profissionais e pacientes concordam que é difícil seguir as orientações, e frustrante não as seguir. Agora, precisam concordar que a causa disso não é não saber o que fazer, ou não querer fazer: é não conseguir, exatamente da mesma forma que a maioria de nós não conseguiria seguir a rotina de um atleta de elite.

Adotar novos hábitos, por mais necessário que seja, depende da capacidade psicológica de sustentá-los. Se não conseguimos mudar, o caminho mais indicado é desenvolver essa capacidade, não nos sentir culpados ou procurar falsas esperanças. Aos profissionais, a mesma ideia: como há corpos diferentes, há cérebros diferentes. Muitas vezes, o paciente que parece pouco comprometido ou desmotivado está fazendo todo o (seu) possível. E é hora de ampliar suas possibilidades.

Cassiano de Santis é psicólogo especialista em Neuropsicologia

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