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Maria Teresa: exemplo, persistência e referência no atletismo

Vice-campeã mundial em 1976, piracicabana construiu uma sólida e exemplar trajetória no esporte

Maria Teresa Ferreira, vice-campeã mundial de atletismo
A piracicabana Maria Teresa Ferreira foi vice-campeã mundial de atletismo (Foto: Leonardo Moniz/Selam)

“Ainda que eu pudesse, não mudaria uma vírgula do que fiz”. Aos 61 anos, a sorridente Maria Teresa Ferreira, ou apenas Teka, como é chamada frequentemente, é voz autorizada para falar de esportes. Seja no atletismo, onde colecionou inúmeros títulos de ordem estadual, nacional e internacional, ou na beira da pista, contribuindo na formação esportiva de crianças e adolescentes em Piracicaba. Atleta de ponta, Teka viveu o auge da carreira na década de 1970, quando ganhou o mundo calçando sapatilhas. Vice-campeã mundial de cadetes na França, a piracicabana iniciou a trajetória influenciada por outra referência na modalidade: Aparecida de Fátima Adão.

“O meu interesse pelo atletismo surgiu quando eu tinha 14 anos. Lembro que estava passeando pela rua Treze de Maio e encontrei a Fátima Adão. Ela me parou e fez um convite para treinar. Eu já a conheci de nome, mas não tínhamos contato algum. Recordo que senti uma alegria muito grande em meu peito quando recebi o convite. Fui para a pista, comecei os treinamentos e, com três meses de prática, fui convocada pela primeira vez para a seleção paulista”, contou. Os resultados meteóricos, entretanto, não mudaram as prioridades na cabeça da menina. “Sempre fui uma moleca: meu negócio era brincar na rua”, recordou.

Maria Teresa Ferreira, vice-campeã mundial de atletismo

Teka teve rápida evolução: em 3 meses, estava na seleção paulista (Foto: Marlene de Lima)

Os primeiros títulos estadual e nacional, ambos como infantil, vieram em 1974. A piracicabana tinha 15 anos de idade e disputava a prova dos 600 m. No ano seguinte, sob o olhar do técnico Ídico Pellegrinotti, o Deco, Teka passou a competir nos 400 m rasos. “Foi aí que tudo se transformou”, disse. Em 1976, Maria Teresa Ferreira formou uma equipe histórica ao lado de Aparecida de Fátima Adão, Marlene de Lima e Denise Schiavinatto – e depois Conceição Geremias. “O ano da minha vida foi 1976. Consegui um estágio de aperfeiçoamento por dois meses em Mainz, na Alemanha. Quando voltei, estava muito mais forte fisicamente”, falou.

Com duas conquistas nacionais e um título sul-americano na bagagem, Teka ‘voou’ em 1976. A piracicabana foi campeã paulista no revezamento 4×400 m, prova que também venceu no Campeonato Brasileiro, no Troféu Brasil e no Sul-Americano, disputado na Venezuela. A maior façanha, contudo, viria no Mundial de Cadetes, em Orleans, na França. A atleta foi vice-campeã na prova dos 400 m rasos. “Foi uma alegria muito grande, mas eu ainda era uma menina, não sabia onde estava. O que eu queria era brincar, ficar mais perto dos meus irmãos. Somos oito: seis meninas e dois rapazes. Uma família maravilhosa e todos passaram pelo atletismo”, afirmou Teka, que é irmã de Mazé Ferreira, campeã sul-americana e dona de 100 medalhas em Jogos Regionais e Abertos.

Maria Teresa Ferreira, vice-campeã mundial de atletismo

A equipe piracicabana de atletismo fez história na década de 1970 (Foto: Arquivo/Marlene de Lima)

As temporadas seguintes também foram de êxito. Em 1977, o revezamento piracicabano atingiu a histórica marca de 3min47s9 no Campeonato Paulista, que teve sede no Ibirapuera, em São Paulo. “A sintonia entre nós era enorme, corríamos por amor ao esporte. O Deco (treinador) era o nosso ídolo. Tudo o que ele falava, nós fazíamos. E sempre deu certo. Montamos uma equipe fantástica em Piracicaba. Foram anos maravilhosos”, disse Teka. Em 1978, mais uma conquista histórica: o título Ibero-Americano, em Guadalajara. A hegemonia estadual e nacional se manteve até o início da década de 1980. Teka, porém, encerrou a carreira precocemente aos 30 anos.

“Casei e tive dois filhos. Na verdade, antes de parar eu corri grávida (risos)”, contou, com o sorriso característico. “Meus dois meninos nasceram dentro da pista. Eu sabia que estava grávida do meu primeiro filho, o Rodrigo, mas não falei para ninguém. Isso foi em 1984, disputei o Troféu Brasil assim”, falou a ex-velocista, que também é mãe de Maxwell. No total, foram 13 anos longe das pistas. Teka virou comerciante e vendia roupas, até receber um convite de Denise Schiavinatto. “Ela me chamou para jogar vôlei e depois soube do projeto que a Selam (Secretaria de Esportes, Lazer e Atividades Motoras) possui para a terceira idade. Fiquei encantada, foi a melhor coisa que eu fiz na minha vida. O reencontro foi um momento lindo que durou dez anos antes de ser interrompido pela pandemia”, relatou.

Em paralelo, Teka assumiu a equipe piracicabana de atletismo ao lado de Mazé – as irmãs, assim como Marlene de Lima, vivem a expectativa de iniciar novo projeto, já aprovado na esfera federal e aguardando captação de recursos, para desenvolver a modalidade. O esporte, que tanto a ajudou a se formar, virou uma ferramenta para educar crianças e adolescentes. “O esporte é o caminho que prepara o atleta para a vida. Em nossas mãos já passaram muitas meninas e meninos, hoje mulheres e homens que foram lapidados com amor. Nós temos uma preocupação humana e vivemos a esperança de colocar em prática um projeto para atender 80 crianças e adolescentes. Hoje, eu me sinto uma mãezona e o que nos motiva são os exemplos: alguns seguindo no esporte, outros tomando um rumo diferente, mas todos acolhidos e boas pessoas. Nosso objetivo é que eles se permitam sonhar”, completou.

Maria Teresa Ferreira e a irmã, Mazé: família tem tradição no atletismo (Foto: Arquivo/Líder Esportes)

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