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Opinião

Mão na bola ou bola na mão? Eis a questão!

Quando eu atuava pelo Saturno e pelo Paulistão, dois dos times da minha infância e adolescência, a regra era clara: bateu na mão dentro da área era pênalti. Não tinha discussão. O respeito entre os atletas era nítido naquela época e a bola era colocada na marca da cal sem polêmicas. Brincadeiras à parte, o futebol profissional a gente sabe que é outra conversa. Porém, está demais! São mudanças e mais mudanças na regra nos últimos anos e os engravatados da International Board, órgão ligado à Fifa que regulamenta as normas no esporte mais popular do mundo, não se entendem.

Uma hora vale a intenção, outra hora não vale; depois não pode levantar o braço, depois pode (ou depende!); uma hora se der carrinho e bater no braço tem de dar o pênalti, depois essa determinação não vale mais. Os que comandam estão perdidos! E os árbitros também! Os homens do apito estão totalmente sem critério com tanta informação desencontrada.

Confesso que quando a bola bate na mão de um jogador dentro da área e o lance vai para o VAR analisar, eu fico sem a menor ideia do que sairá de lá. É uma surpresa a cada jogo. Um verdadeiro Kinder Ovo! E, neste cenário, seja qual for a decisão, é discussão na certa. O time prejudicado sempre vai dizer que tem a razão. E com razão! Se não há critério nenhum, há margem para essa polêmica. Ainda mais no Brasil, onde se instituiu o ‘pênalti jabuticaba’, ou seja, só tem aqui.

Chamou-me a atenção três lances nas últimas semanas do Campeonato Brasileiro. O primeiro foi o pênalti do zagueiro Luan contra o Inter, na sétima rodada. Ele errou o chute e bola bateu em sua mão. Inicialmente, o árbitro não marcou. Mas o VAR mandou ele marcar. Na rodada seguinte, foi a vez da bola bater no braço do jogador Aderlan, do Bragantino, no jogo contra o Palmeiras, pela oitava rodada. Desta vez, não foi nada. E na nona rodada, o zagueiro Júnior Alonso, do Atlético-MG, deixou a mão na bola dentro da área na partida contra o Santos, mas também não foi dada a penalidade máxima.

Depois disso, a pergunta que fica é: qual o critério para marcar um e não marcar os outros dois? Sem querer entrar em polêmica, eu acho que o “menos pênalti” foi justamente o lance do Luan. O braço do zagueiro estava atrás da bola, num lance de erro técnico do jogador. Não houve intenção alguma no lance. Em Bragança Paulista, apesar de o Palmeiras ter vencido a partida, pediu explicações à CBF. Que, por sua vez, se calou.

Realmente é difícil chegar a um denominador comum. Reconheço. Até os comentaristas de arbitragem divergem entre si. Porém, tem de se uniformizar a bola na mão, mão na bola. Os velhinhos da International Board são pagos para isso. Tem de acertar essa questão e deixar claro para todos. Para que, quando houver lances desses durante as partidas, todos terem a mesma conclusão. Sem polêmicas. Ou, então, coloca-se a regra do campinho do meu tempo de criança. Simples assim!

Erivan Monteiro é jornalista e cronista esportivo

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